Dólar chega a R$ 4,207, maior valor nominal da história
O recorde anterior havia sido registrado no dia 13 de setembro de 2018, quando a moeda encerrou os negócios vendida a R$ 4,1952
O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (18), no maior valor nominal de fechamento da história. A moeda norte-americana subiu 0,32%, a R$ 4,206. O recorde anterior havia sido registrado no dia 13 de setembro de 2018, quando a moeda encerrou os negócios vendida a R$ 4,1952.
No ano, o dólar acumula alta de 8,56% sobre o real. No mês, o avanço é de 4,89%.
Analistas apontam que não houve um evento específico para a piora do mercado de câmbio nesta segunda, mas os negócios seguem pressionados pelas tensões políticas em países vizinhos, como Bolívia e Chile, e preocupações sobre as negociações entre China e Estados Unidos sobre a guerra comercial.
“As tensões sociais em países no entorno só nos atrapalham. A bolsa até demorou alguns dias para sentir os efeitos, mas já reage aos eventos, enquanto o real continua sendo atingido de frente”, afirmou Vicente Matheus Zuffo, gestor da SRM Asset, ao Valor Online.
Nesta manhã, a CNBC noticiou que fontes do governo na China estão pessimistas com as negociações. A relutância do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em remover tarifas e o processo de impeachment nos EUA foram citados como razões de preocupação.
"É um momento delicado da relação do EUA com a China, quando tudo parece estar acordado, os EUA mudam as regras, o que tem preocupado bastante”, disse em nota Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus.
Do cenário interno, o economista-chefe da Necton, André Perfeito, destaca o novo déficit da balança comercial, de US$ 482 milhões na terceira semana de novembro. O resultado anterior já havia sido negativo em US$ 196 milhões. O déficit é registrado quando o valor das importações é maior do que o valor das exportações.
"Tudo isso, sem dúvida nenhuma, reforça a leitura de piora do mercado", disse Perfeito ao G1. "E fica evidente também que os juros baixos evitam que entre dólar por motivo de especulação", acrescenta.
Em relatório, o Credit Suisse chama atenção para os efeitos das expectativas quanto a possíveis intervenções do Banco Central no câmbio. Segundo o banco suíço, qualquer expectativa de atuação do BC neste momento pode ser frustrada, o que poderia dar mais fôlego ao dólar, destaca a agência Reuters.
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