Após 14 anos, acusados na morte de Mago dos Ovos vão a julgamento por sequestro, homicídio e ocultação de cadáver
Empresário, dois policiais militares e um policial civil serão submetidos a júri popular
A 5a Vara Criminal de Arapiraca confirmou que o júri popular dos quatro acusados do assassinato de Severino José Fernandes, conhecido como “Mago dos Ovos” ocorrerá no Fórum de Arapiraca na quinta-feira, 13 de fevereiro. O júri popular será presidido pelo juiz Alfredo Mesquita, que deverá ouvir aproximadamente 20 testemunhas de acusação e de defesa dos réus.
Os réus são o empresário José Nilton Ferreira, acusado de ser o mandante do crime, e os policiais militares José Sandro da Silva e Jair Matias dos Santos e o policial civil Paulo César da Silva Melo, que irão responder como executores do sequestro, assassinato e ocultação de cadáver da vítima, morta com extrema crueldade.
Nos autos do processo consta um pedido do Ministério Público Estadual para o desaforamento, ou transferência de local, do júri popular. A promotoria argumenta que, com a realização do júri popular em Arapiraca, a situação econômica e social dos acusados poderia afetar a imparcialidade dos jurados, apesar de não constarem informações de que eles tentaram influenciar o rumo das investigações policiais ou do processo judicial. Mesmo assim, os funcionários da 5a Vara confirmaram nesta sexta-feira (07) que o júri está mantido para a semana que vem.
A morte de Mago dos Ovos, ocorrida 14 anos atrás, teve grande repercussão na época. A vítima era muito conhecida na cidade e as informações sobre como o corpo dele foi encontrado e das investigações policiais chocaram a população.
A vítima foi sequestrada no dia 06 de fevereiro de 2006, no momento em que chegava na residência onde morava, no bairro Cacimbas. Ele foi levado no próprio veículo, um Fiat Uno 1996, que foi encontrado carbonizado três dias depois em um canavial no município de São Sebastião. Passados mais cinco dias o corpo da vítima, sem a cabeça, foi encontrado em um canavial de Campo Alegre. Mago dos Ovos foi brutalmente assassinado, deve os órgãos genitais, mãos e pés cortados e a cabeça decepada. Após a morte, os assassinos ainda atearam fogo ao cadáver, que ficou parcialmente carbonizado.
Devido a repercussão do crime, as investigações foram conduzidas por uma comissão de delegados que chegaram até a identificação e prisão preventiva dos réus, que posteriormente foram soltos para responder pelo crime em liberdade.
A motivação do homicídio seriam supostas fotos eróticas de uma mulher com quem Mago dos Ovos teria se relacionado nove anos antes do crime. A mulher é irmã do policial civil Paulo César e, em 2006 se relacionava com o empresário José Nilton. Na época, Mago dos Ovos havia comentado com algumas pessoas que mantinha imagens da mulher. A informação chegou ao empresário, que teria pressionado a vítima, que disse ter destruído os arquivos. O empresário, então, teria se juntado ao irmão da mulher, que teria feito contato com o PM da reserva José Jorge Farias Melo - que morreu tempos depois. O militar foi responsável por recrutar os então soldados José Sandro da Silva e Jair Matias dos Santos, lotados no Batalhão da PM em Arapiraca, para executarem o crime.
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