Presidente do Itaú defende quarentena contra avanço do coronavírus
A avaliação de Bracher vai na contramão do que declarou o presidente da república
O presidente do banco Itaú, Candido Bracher, considera a quarentena como "necessária" diante do cenário atual da pandemia do novo coronavírus (covid-19) no país. A declaração foi feita durante uma entrevista aos jornalistas Mariana Barbosa e Renato Andrade do jornal O Globo, na última quarta-feira (25).
A avaliação de Bracher vai na contramão do que declarou o presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), em um pronunciamento oficial dado na noite da última terça (24) em que defendeu que o Brasil precisa voltar à normalidade, sem a necessidade de se submeter a um "confinamento em massa".
O presidente do banco acredita que neste momento de crise as empresas precisam garantir os direitos de pagamento de salário dos funcionários, e também defende uma rende básica que ampare populações mais vulneráveis. "É uma saída importante. E tem também que cuidar das empresas pra elas continuarem pagando a folha de pagamento. Crises acentuam a desigualdade. É papel do governo atuar para mitigar esses efeitos", disse ao O Globo.
Bracher também afirmou que sente a necessidade de uma figura chave para administrar a crise provocada pela pandemia. "É preciso uma coordenação grande. Não pode delegar o problema nem para o ministro da Saúde nem para o da Economia. Sinto falta de um administrador da crise, de alguém que coordene todos os esforços do governo e possa administrar o arsenal variado de medidas para combater a crise", declarou ao jornal.
No entanto, ao ser questionado se esse administrador deveria ser um presidente ou ministro, ele não cita o presidente da república Jair Bolsonaro (sem partido) como uma possível autoridade para desempenhar o papel. "Alguém com experiência em gestão de crise. Perfil mais tecnoburocrático do que um político tradicional", esclareceu.
Sobre a necessidade de uma quarentena no país para evitar mais infecções pelo vírus, ele acredita que é "necessária", mas faz ressalvas: "A pergunta é por quanto tempo".
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