Como Bolsonaro agora adapta e atenua seu discurso na TV
Depois de chamar pandemia de histeria, presidente afirma que crise é ‘maior desafio da nossa geração’
Jair Bolsonaro fez um novo pronunciamento na noite de terça-feira (31) em rede nacional de rádio e TV, sobre o combate ao coronavírus no Brasil. Desta vez, o presidente mudou o tom de confronto que havia adotado exatamente uma semana antes e preferiu atenuar o discurso.
Sem ironias ou ataques, Bolsonaro disse que agradecia e reafirmava “a importância da colaboração e a necessária união de todos num grande pacto pela preservação da vida e dos empregos: Parlamento, Judiciário, governadores, prefeitos e sociedade”.
Sem utilizar palavras como “histeria” ou fazer críticas à imprensa, como no pronunciamento em cadeia nacional de 24 de março, ele falou que a pandemia do novo coronavírus é “o maior desafio da nossa geração”. “As medidas protetivas devem ser colocadas de forma racional, responsável e coordenada”, disse.
Diferentemente também do que vinha fazendo, Bolsonaro evitou falar em volta à vida normal ou em mudar as medidas de isolamento social geral da população, recomendadas por autoridades sanitárias e adotadas em vários estados, para um isolamento vertical, em que apenas idosos e pessoas do grupo de risco ficariam em casa.
Ainda assim, voltou a usar fora de contexto trechos do discurso de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), realizado na segunda-feira (30). Na cadeia de rádio e TV, o presidente não repetiu, porém, que o dirigente da organização estava se alinhando a ele na defesa do fim do isolamento social, como tinha dito horas antes, em frente ao Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.
A mudança de tom de Bolsonaro ocorre num momento em que ele fica cada vez mais isolado dentro do governo, com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, posicionando-se publicamente contra suas diretrizes. E num momento em que vem sendo ignorado pela maioria dos governadores.
Ocorre também depois que Donald Trump, presidente dos EUA, em quem Bolsonaro diz se espelhar, ter dado uma guinada no discurso. O americano passou das ironias que comparavam o novo coronavírus uma “gripezinha” – algo também feito pelo brasileiro – à defesa do isolamento social como forma mais eficaz de combater a pandemia.
Internamente no governo, a mudança de tom de Bolsonaro é atribuída a uma ala mais moderada, incluindo militares. Assim como na semana anterior, o pronunciamento foi recebido com panelaços em grandes cidades do Brasil.
Abaixo, o Nexo destaca quatro eixos do pronunciamento desta terça-feira (31) e explica como o presidente atenua, em alguns deles, seu discurso em relação ao pronunciamento da semana anterior e às declarações públicas que vinham marcando até aqui sua atitude diante da pandemia.
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