Às vésperas de pico de casos, Bolsonaro vê covid-19 "começando a ir embora"
O Brasil ainda nem sequer bateu o pico de casos de coronavírus.
Em uma live com religiosos para celebrar a Páscoa, Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje que "parece que está começando a ir embora a questão do vírus", em referência aos efeitos da pandemia da covid-19.
Segundo ele, à medida que um problema estaria se diluindo, em sua visão, outro mais grave tende a aparecer: o desemprego. Essa tese tem sido sustentada pelo presidente, segundo o próprio, nos últimos "40 dias".
Mas Bolsonaro não observou um detalhe crucial: o Brasil ainda nem sequer bateu o pico de casos de coronavírus. E quem diz isso é o próprio Ministério da Saúde.
A pasta projeta que a etapa de aceleração descontrolada de casos só chegará em maio, com desaceleração prevista para meados de junho. O nível do pico, segundo especialistas, depende do tipo de isolamento social adotado em estados e municípios para conter a pandemia.
Lá atrás eu dizia: o vírus e o desemprego. Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora a questão do vírus. Mas está chegando e batendo forte o desemprego. Devemos lutar contra essas duas coisas.Jair Bolsonaro
Um relatório técnico assinado pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), divulgado na semana passada, afirma que, para além da fase de aceleração, o Brasil continuará a enfrentar o vírus até meados de setembro, já em curva descendente.
Apesar dos riscos para a saúde da população, Bolsonaro tem defendido a volta à normalidade e o fim da reclusão social, com a reabertura do comércio, escolas e outras atividades que se encontram paralisadas em função da crise.
Na transmissão ao vivo com um grupo de religiosos, entre os quais evangélicos, católicos e judeus, o presidente também relembrou o episódio da facada sofrida por ele em 6 de março de 2018, mês anterior à eleição da qual sairia vitorioso. Bolsonaro chegou a se emocionar em alguns momentos e ficou com a voz embargada.
Bolsonaro culpa isolamento pelo aumento do desemprego
Sempre crítico ao isolamento social como medida de contenção do novo coronavírus, Bolsonaro atribuiu hoje, em mensagem publicada no Twitter, o aumento do desemprego ao isolamento social, culpando indiretamente os governadores pela crise.
Sem citar nomes e/ou apresentar provas que corroborassem a sua tese, o mandatário voltou a mandar recados para os governadores que adotam medidas de restrição social, em especial João Doria (PSDB-SP), e Wilson Witzel (PSC-RJ).
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