Pandemia pode colocar contas do Brasil no azul só em 2033
Estudo de instituto do Senado mostra ainda que rombo de 2020 deve ser de R$ 912,4 bi
Os gastos para minimizar a crise provocada pela pandemia da covid-19 e a perda de receitas com a desaceleração da economia levarão União, Estados e municípios a registrar um rombo de R$ 912,4 bilhões em 2020, segundo estimativa da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado a ser revelada nesta segunda-feira, 15. Só nas contas do governo central, que reúne Tesouro, INSS e Banco Central, o déficit deve ser de R$ 877,8 bilhões.
A turbulência deixará cicatrizes pelos próximos anos. No cenário atual da IFI, o Brasil só voltará a ter contas no azul em 2033. Caso isso se confirme, serão quase duas décadas de rombos sucessivos desde o primeiro ano de déficit, em 2014. Significaria também que os próximos dois presidentes da República teriam seus mandatos integralmente marcados por desequilíbrio nas contas públicas.
O diagnóstico acende um alerta para a sustentabilidade fiscal do País. A dívida bruta como proporção do PIB, indicador observado por investidores para analisar a capacidade de um governo de honrar seus compromissos, dará um salto para 96,1% em 2020, mais de 20 pontos acima do verificado no ano passado (75,8%). A previsão é que em 2022 a dívida ultrapasse a marca de 100% do PIB, mas isso pode ser antecipado para este ano caso o desempenho da economia piore ainda mais.
A IFI projeta uma queda de 6,5% no PIB este ano, mas o tombo pode chegar a 10,2% em um cenário mais pessimista. Já em 2021, o crescimento deve ser de 2,5%, insuficiente para recuperar a economia integralmente após o baque provocado pelo novo coronavírus. A estimativa da IFI é que o País retome o patamar pré-crise apenas em 2023.
Com um cenário fiscal "cada vez pior", o diretor executivo da IFI, Felipe Salto, afirma que a atuação do governo precisa ser "intensa e eficiente". "O governo precisa sinalizar como vai conduzir a economia e as contas públicas depois da tempestade. Ao mesmo tempo, quanto mais ineficiente for a atuação neste período de crise, piores as consequências pro crescimento a partir de 2021."
O governo tem sido alvo de críticas pela demora na liberação de crédito às empresas, sobretudo pequenas e médias, que sofrem mais com a crise. Ao mesmo tempo, o Congresso ainda não aprovou o texto que vai permitir à equipe econômica prorrogar o prazo máximo de suspensão de contratos de trabalho na crise - medida aguardada por empresas como alternativa à demissão de funcionários.
O temor é que a falta de agilidade prolongue a crise. "Se a crise se estender para além de 2020, é possível que ações adicionais sejam necessárias, o que pioraria as projeções para 2021", diz o relatório da IFI.
Veja também
Últimas notícias
Jovens em cumprimento de medidas socioeducativas são capacitados para o primeiro emprego
Condenação passa de 23 anos em ação do MPAL contra esquema em Arapiraca
Alcolumbre mantém votação de quebra de sigilo de Lulinha por CPMI do INSS
Vereadores exigem punição rigorosa à Braskem e cobram indenizações justas para famílias afetadas pela mineração
Caminhão tomba em São José da Laje e motorista é socorrido com dores no braço e na costela
JHC inaugura primeiro Gigantinho bilíngue da história de Maceió
Vídeos e noticias mais lidas
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Secretário da Fazenda de Maceió cria dificuldades para pagar fornecedores
Planalto confirma 13º infectado em comitiva com Bolsonaro
Indústria brasileira do setor alimentício terá fábrica em Rio Largo
