Mandetta explica relação ruim com Paulo Guedes: 'Eu ligava, não atendia'
Ex-ministro Luiz Henrique Mandetta foi entrevistado no Conversa com Bial de quinta-feira, 24/9
No recém-lançado “Um paciente chamado Brasil: Os bastidores da luta contra o coronavírus”, o médico ortopedista, ex-deputado federal e ex-ministro Luiz Henrique Mandetta narra a luta para conter a epidemia da Covid-19 no Brasil durante sua gestão no Ministério da Saúde. No programa de quinta-feira, 24/9, ele conversa com Pedro Bial sobre o livro, a pandemia e o cenário político do país.
No livro e na conversa, Mandetta fala sobre como Bolsonaro estava convencido de que o coronavírus era uma arma biológica chinesa para a esquerda voltasse ao poder na América Latina. O ex-ministro usa o conceito psiquiátrico das fases do luto para explicar a reação “negacionista e raivosa” do presidente, que, em sua definição, foi “pró-vírus”.
Entretanto, o ex-ministro reconhece que o governo de Jair Bolsonaro não foi o único responsável pelo fracasso do Brasil em conter o avanço do coronavírus. Mandetta relembra uma reunião em Genebra, em janeiro, para o Fórum Econômico Mundial de Davos. Na época, estavam todos ansiosos para saber sobre o grau de contágio da doença: “Se era um vírus pesado, um vírus lento, como foi MERS, como foi SARS, ou se era um vírus competente para a transmissão".
“Eles trouxeram como se fosse algo restrito a Wuhan. Aquilo que foi apresentado veio como um vírus pesado.”
Ele critica, também, a lentidão da OMS em declarar pandemia. Apenas quando os sistemas de saúde europeus entraram em colapso o Brasil mudou sua abordagem.
Bial também entra no assunto Paulo Guedes, já que o ministro da Economia é o mais criticado do livro de Mandetta. O médico explica que o dilema “saúde versus economia” só poderia ser articulado se houvesse uma fala conjunta, o que nunca aconteceu.
“É igual basquete, eu batia e voltava. Não fluía. A gente não conseguia desenvolver nenhum tipo de relacionamento em função dessa doença. Às vezes eu ligava, não atendia.”
Ele argumenta que outro economista, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, mostrava que era possível ter uma postura bem diferente: "Extremamente atento, me mandando gráficos, me perguntando."
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