Bolsonaro anuncia troca de presidente da Petrobras
A comunicação foi feita em um post no Facebook, com a imagem de um comunicado do Ministério de Minas e Energia
O presidente Jair Bolsonaro anunciou na noite de sexta-feira (19/02) a substituição de Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, pelo general Joaquim Silva e Luna.
A comunicação foi feita em um post no Facebook, com a imagem de um comunicado do Ministério de Minas e Energia em que se lê que o militar foi indicado "para cumprir uma nova missão, como Conselheiro de Administação e Presidente da Petrobras, após o encerramento do Ciclo, superior a dois anos, do atual Presidente, Roberto Castello Branco".
A demissão acontece após o presidente declarar que faria "mudanças" na empresa após consecutivos aumentos nos preços de combustíveis nas refinarias, reflexo da política de preços que, desde 2016, busca paridade com o mercado internacional.
Em sua live semanal nas redes sociais nesta quinta (18/02), o presidente afirmou que "algo aconteceria" na estatal e disse que "exigiria e cobraria transparência de todos aqueles que eu tive a responsabilidade de indicar".
O comentário foi lido como uma crítica direcionada a Castello Branco, que afirmou em janeiro que a ameaça de greve dos caminhoneiros, que pleiteavam uma redução nos preços do óleo diesel, não era "problema" da empresa.
Na quinta, a Petrobras anunciou novo aumento nos preços da gasolina e do óleo diesel, que ficaram, respectivamente, R$ 0,23 e R$ 0,34 mais caros a partir de hoje. Com isso, o litro da gasolina nas refinarias passou a custar a custar R$ 2,48 e o do diesel, R$ 2,58. O presidente classificou os reajustes como "excessivos" e "fora da curva".
Durante a transmissão, Bolsonaro anunciou que iria zerar por dois meses, a partir de março, os impostos federais que incidem sobre o diesel. Conforme os dados disponibilizados pela Petrobras para o diesel S-10 e coletados entre 31 de janeiro e 6 de fevereiro, esses impostos respondem por cerca de 9% do preço do combustível.
Nesta sexta, o presidente repetiu que faria mudanças na estatal, afirmando, entretanto, que "jamais" interferiria "nesta grande empresa e na sua política de preços, mas o povo não pode ser surpreendido com certos reajustes".
As manifestações não foram bem recebidas pelo mercado. As ações da empresa na bolsa recuaram quase 8%, diante do temor de uma possível interferência do governo na companhia, à semelhança do que aconteceu no governo de Dilma Rousseff (PT).
Entre 2011 e 2015, a política de preços foi orientada para evitar um aumento da inflação. A variação dos preços internacionais era repassada de forma defasada aos combustíveis no país, o que acabou gerando prejuízo bilionário para a Petrobras.
Quando a conjuntura externa era desfavorável, a empresa chegou a importar combustível mais caro e vendê-lo mais barato no mercado interno.
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