Seis estados brasileiros correm risco de ficar sem oxigênio em plena pandemia
Com 212 milhões de habitantes, o país soma mais de 295.000 mortos por covid-19 e 12 milhões de casos, balanços superados apenas pelos Estados Unidos.
As reservas de oxigênio para pacientes de covid-19 que precisam de suporte de respiração artificial estão em níveis "preocupantes" em seis dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal em pleno auge da pandemia, informou nesta terça-feira (23) o Ministério Público Federal.
"De acordo com o acompanhamento do Ministério da Saúde, a situação é mais preocupante em seis estados: Acre, Rondônia, Mato Grosso, Amapá, Ceará e Rio Grande do Norte", informou o MP em um comunicado.
Em janeiro, dezenas de pessoas morreram asfixiadas por falta de cilindros de oxigênio nos hospitais de Manaus, capital do Amazonas, com 2,2 milhões de habitantes.
Manaus mergulhou no caos, com dezenas de pessoas em busca de abastecimento para os cilindros de oxigênio no mercado negro para cuidar dos familiares em casa.
Com o objetivo de evitar que uma tragédia como a de Manaus se repita em outras regiões, o MP organizou esta semana uma reunião com representantes do ministério da Saúde e da empresa White Martins, um dos principais distribuidores de oxigênio para uso médico.
"A empresa vem registrando um aumento exponencial no consumo do produto. A demanda chegou a crescer 300% em alguns locais", destaca a nota do MP.
Na segunda, o estado de São Paulo anunciou que instalará uma fábrica para produzir oxigênio em um prazo de dez dias perto de Ribeirão Preto, em aliança com a gigante cervejeira Ambev. Produzirá 125 tanques por dia, destinados aos hospitais mais sobrecarregados da região.
São Paulo, o estado mais populoso do país, com 46 milhões de habitantes, registrou nesta terça pela primeira vez mais de 1.000 mortos pelo coronavírus em 24 horas.
Em Brasília, mais de 400 pessoas estão na fila por uma vaga em um leito de UTI. Segundo vídeos publicados nas redes sociais, alguns corpos foram deixados nos corredores de um hospital da cidade, à espera da transferência para um necrotério.
O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, assumiu o cargo nesta terça-feira em uma cerimônia discreta e sem a presença de jornalistas, mais de uma semana depois de ser nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro.
Queiroga, médico cardiologista, assume a pasta em um momento em que a pandemia está fora de controle no país, dez meses depois de seu antecessor, o general Eduardo Pazuello, assumir o cargo sem experiência no setor da saúde, nem em cargos políticos.
Nas últimas semanas, o Brasil se tornou o país com o registro de mais mortes diárias por covid, com média em sete dias superior a 2.000 óbitos por dia.
Com 212 milhões de habitantes, o país soma mais de 295.000 mortos por covid-19 e 12 milhões de casos, balanços superados apenas pelos Estados Unidos.
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