Príncipe é acusado de matar o 'maior urso vivo da Europa'
Grupos ambientalistas suspeitam que o príncipe Emanuel von und zu Liechtenstein tenha atirado no animal enquanto caçava na Romênia.
Ativistas ambientais suspeitam que um príncipe de Liechtenstein, país localizado entre Áustria e Suíça, matou a tiros o que seria provavelmente o maior urso vivo na União Europeia, em uma expedição de caça na Romênia em março.
Eles dizem que o príncipe Emanuel von und zu Liechtenstein recebeu permissão para atirar em uma ursa que causou danos a algumas fazendas.
Mas o urso que acabou baleado não era a fêmea, e sim Arthur, um urso marrom de 17 anos.

O urso macho foi morto em março, meses depois de um fazendeiro local reclamar de fêmeas
Foto: Agent Green / BBC News Brasil
A BBC tentou contato com o príncipe, que mora na Áustria, mas não obteve retorno.
"Não temos um problema pessoal com o príncipe", disse Gabriel Paun, do grupo ambientalista Agent Green, à BBC. "Acreditamos que a associação de caça estava atendendo às necessidades dele."
O gabinete do Príncipe Hereditário de Liechtenstein disse à agência de notícias AFP que não conhecia os antecedentes deste "assunto pessoal e privado". Mas afirmou que a natureza "tem sido uma das preocupações fundamentais desta Casa e um elemento central do compromisso da família com a sustentabilidade ecológica e social".
A guarda ambiental nacional da Romênia lançou uma investigação sobre a morte do urso.
Não há confirmação de que uma licença de caça tenha sido concedida ao príncipe. No entanto, a Agent Green teve acesso a um documento vazado que parece ser uma licença das autoridades para uma associação de caçadores em Covasna concedendo ao príncipe vários dias para caça em março. O documento afirma que houve a morte de um urso no vilarejo de Ojdula, na Transilvânia.
A caça por prazer (conhecida em inglês como "trophy hunting", ou caça por troféu) é proibida na Romênia desde 2016, pois o urso-marrom é protegido por uma diretiva da União Europeia.
Mas a caça é permitida para ursos "problemáticos" que causam danos. Os ativistas dizem que um fazendeiro local reclamou de um problema com três fêmeas e seus filhotes há algum tempo. Mas, segundo eles, a morte do urso em março não resolveu o problema.
"Para obter uma derrogação [licença], você precisa provar que seguiu toda a diligência. A derrogação é a exceção e não a regra", disse Paun. "Uma vez que você extrai grandes ursos da população, você começa a desestabilizar a população, então ele teve um papel crucial."
Sem ursos como Arthur, há o risco de cruzamentos entre diferentes espécies, adverte.
O ministro do Meio Ambiente, Tanczos Barna, confirmou que uma licença foi emitida para se livrar de um urso incômodo, mas não deu detalhes de quem a recebeu.
O chefe da agência de proteção da Guarda Ambiental Nacional da Romênia, Octavian Berceanu, disse que um inquérito foi aberto na semana passada para saber por que um urso macho havia sido baleado. Entre as possibilidades, as autoridades suspeitam que possa ter havido caça ilegal.
Como as ursas fêmeas são muito menores do que Arthur, os ativistas acreditam que o macho alfa mais velho foi deliberadamente visado por seu valor de troféu de 592,8 pontos de um máximo possível de 600 no universo de "trophy hunting".
Ann-Kathrin Freude, do grupo ambientalista austríaco VGT, disse à BBC que, pelo que eles sabiam, o tiro em Arthur produziu a pontuação mais alta já registrada. "É um troféu de prestígio atingir um desses animais simbólicos — é como um bom vinho."
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