Contratados para atuar na ala da Covid-19 no Chama estão com salários atrasados
Funcionários estão completando dois meses de serviço e não receberam nenhum salário
Contratados desde o início de abril, funcionários que integram as equipes que cuidam dos pacientes com Covid-19 no Centro Hospitalar Manoel André (Chama), trabalham há 60 dias, mas nunca receberam salários. Até o momento, de acordo com eles, não há qualquer previsão para que os vencimentos sejam depositados.
"Quando alguém vai perguntar, eles dizem que estão resolvendo, que está perto de resolver, que vai ser liberado na próxima semana, só que esse dia nunca chega. E a gente já perguntou tanto que agora ficamos com medo de cobrar e ser demitida por conta disso", afirmou uma funcionária.
A trabalhadora procurou o 7Segundos nesta terça-feira (02) para fazer a denúncia e pediu para não ter o nome divulgado. Ela afirma que como houveram outras demissões no hospital nos últimos meses, o clima entre os funcionários é de tensão. "Às vezes a gente tem medo até de conversar com os colegas e isso chegar aos ouvidos de alguém que pode interpretar mal. Mesmo sem receber salário, ninguém quer ser demitido porque é muito difícil conseguir trabalho durante a pandemia", ressaltou.
A trabalhadora conta que o grupo de funcionários passou por seleção com análise de currículo e entrevista antes de começar a trabalhar no início de abril, quando o Chama estava sob a administração de outro grupo, diferente do atual. Mas mesmo assim, ela reitera, a contratação foi efetuada pelo hospital e de lá para cá, os contratados estão empenhados no cumprimento de suas funções durante os plantões.
"Em vez de receber salários, muitos de nós estamos pagando para trabalhar, porque precisamos pegar transporte. Mesmo com dificuldade, continuamos cumprindo nossas obrigações e tudo o que queremos é receber pelo trabalho que fazemos, que é nosso direito. Decidi entrar em contato com a imprensa porque é um meio para gente cobrar", declarou a funcionária.
Segundo ela, faz apenas uma semana que o hospital abriu as contas bancárias por onde os salários serão pagos. Diante da demora para o depósito dos pagamentos e da falta de informação, colegas estão articulando para encaminhar a denúncia às entidades representativas da categoria e também à Justiça do Trabalho.
A reportagem entrou em contato com o Chama e conversou com atendentes, mas não obteve acesso à diretoria administrativa do hospital e nem recebeu resposta até o fechamento da matéria.
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