Hospital de Emergência do Agreste prepara novo edital do Programa Preparando a Volta para Casa
A previsão é que o chamamento público seja divulgado em março e participação é direcionada a acadêmicos de instituições credenciadas pela Sesau
Profissionais do Hospital de Emergência do Agreste (HGE), em Arapiraca, estão concluindo os ajustes para o lançamento de um novo edital de seleção de estagiários do Programa Preparando a Volta para Casa (PPVC). A previsão é que o chamamento público seja divulgado em março, com duas vagas destinadas a estudantes de fisioterapia, enfermagem, serviço social, terapia ocupacional, fonoaudiologia, medicina, nutrição e psicologia.
A participação é voluntária e direcionada a acadêmicos vinculados a instituições de ensino credenciadas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). A nova seleção ocorre após o ciclo de atuação dos primeiros estagiários escolhidos por edital, que participaram diretamente de avanços recentes do PPVC.
O PPVC nasceu como um projeto de extensão do Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), desenvolvido em parceria com profissionais do HEA. Ao longo dos anos, o projeto foi reconhecido como programa na instituição hospitalar.
São quase 10 anos de atuação voltados ao treinamento de familiares e pacientes vítimas de trauma e de Acidente Vascular Cerebral (AVC), que deixam a unidade com sequelas e precisam de orientações sobre como conduzir o cuidado no ambiente domiciliar após a alta hospitalar.
Reconhecimento estadual
Nos últimos meses, o programa conquistou o primeiro lugar na IX Mostra das Ações da Política Nacional de Humanização (PNH) em Alagoas, iniciativa promovida pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). O resultado foi apresentado com a participação da equipe técnica e dos estagiários, que contribuíram na sistematização do trabalho desenvolvido pelo HEA.
Coordenador do PPVC, o fisioterapeuta Marcos Protázio avalia que a experiência consolidou um modelo de atuação construído de forma coletiva. “Houve aprendizado de todos os lados. Os estagiários chegaram com disposição para entender o funcionamento do programa e acabaram contribuindo também com novas formas de organizar o serviço. Esse movimento trouxe resultados concretos para o cuidado com pacientes e familiares”, afirmou.
Durante o período de atuação, os estagiários participaram da criação de instrumentos voltados à organização do fluxo interno, ao aprimoramento das orientações oferecidas aos cuidadores e ao acompanhamento do próprio desempenho do programa.
Entre as contribuições está uma nova cartilha educativa desenvolvida pelos estudantes, com linguagem simples, imagens e vídeos acessados por QR Code. O material foi pensado como suporte contínuo para cuidadores de pacientes com sequelas, sobretudo após a alta hospitalar, quando as orientações precisam ser retomadas no ambiente domiciliar.
Participaram da construção da cartilha e das ações do PPVC:
- Kaylane Soares Silva – Enfermagem
- Milena Vitória Barbosa da Silva – Nutrição
- Mirelly Jordana Veiga Silva – Fisioterapia
- Nathália Raissa de Albuquerque Barros – Enfermagem
- Simone Silva Ramalho – Nutrição
- Saulo Rodrigo Silva Santos – Psicologia
Outro recurso desenvolvido foi o formulário digital de solicitação de avaliação do PPVC, também acessado por QR Code. A ferramenta permite que profissionais da assistência acionem o programa ainda durante a internação ao identificar pacientes com sequelas e necessidade de orientação específica, garantindo maior rapidez no acompanhamento.
Formação que transforma
A estudante de Enfermagem, Kaylane Soares, do 9º período da Faculdade Maurício de Nassau, em Arapiraca, entrou no PPVC movida pela curiosidade de entender como o cuidado continuava depois da alta hospitalar. O que encontrou foi uma experiência que ultrapassou o campo técnico.
Dentro do programa, passou a participar das discussões multiprofissionais e a observar como decisões eram construídas de forma coletiva, sempre com foco no paciente e na família. A vivência levou à participação na criação da cartilha educativa, pensada a partir da escuta direta dos cuidadores, muitos deles com dificuldade de leitura.
“Percebemos que, depois do treinamento, muita informação podia ser esquecida após o paciente voltar para casa e isso deixaria os familiares aflitos. A cartilha nasceu dessa necessidade de apoiar o cuidado no dia a dia, de forma simples e acessível”, relatou.
Kaylane também integrou a equipe que apresentou o trabalho do PPVC na mostra estadual que resultou na premiação. “Foi um divisor na minha formação. Saio com uma visão diferente do cuidado e da responsabilidade que temos quando o paciente deixa o hospital”, disse.
Aprendizado além da técnica
O estudante Saulo Rodrigo, do 10º período de Psicologia da Uninassau Arapiraca, descreve a passagem pelo PPVC como um processo de amadurecimento profissional e pessoal. Ao lidar com pacientes e familiares em momentos de transição, ele encontrou um campo de atuação que exigia escuta, sensibilidade e capacidade de articulação com outras áreas. “A experiência trouxe desafios, mas também ampliou meu entendimento sobre o cuidado. A troca com a equipe e a participação na construção das ferramentas mostraram como teoria e prática caminham juntas”, afirmou.
Saulo Rodrigo também participou da apresentação que levou o programa ao reconhecimento estadual. “Ver o trabalho sendo reconhecido consolidou a dedicação de todos. Foi uma construção coletiva que impactou nossa formação e a forma como enxergamos o papel da saúde na vida das pessoas”, completou.
Expectativas para a nova seleção
Integrante da equipe do PPVC e coordenador do Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), o assistente social Rodrigo Barbosa destaca o envolvimento dos estagiários que encerram o ciclo. “Eles participaram com responsabilidade e deixaram contribuições importantes. A expectativa é que os novos selecionados cheguem com esse mesmo interesse em aprender e colaborar com o desenvolvimento do programa”, salientou.
A diretora-geral do Hospital de Emergência do Agreste, a fonoaudióloga Bárbara Albuquerque, fez parte da equipe do PPVC. “O Programa Preparando a Volta para Casa foi construído na prática, no contato com pacientes e familiares que saem do hospital levando dúvidas, inseguranças e responsabilidades. Hoje, vê-lo consolidado como parte da rotina do hospital é motivo de orgulho para todos que participaram dessa trajetória”, afirmou.
Segundo ela, o programa cumpre um papel que ultrapassa a assistência. “Há um cuidado com as famílias, com a continuidade do tratamento e também com a formação dos estudantes que passam por aqui. Muitos chegam buscando experiência e saem com outra percepção sobre o que significa cuidar”, disse.
Bárbara também destaca o ambiente formativo presente na instituição hospitalar. “O hospital é um espaço vivo de aprendizado. A presença dos estagiários contribui com o serviço e, ao mesmo tempo, permite que novos profissionais sejam formados dentro de uma lógica de responsabilidade, escuta e compromisso com o paciente”, concluiu.
Veja também
Últimas notícias
Acidente com vítima fatal é registrado na BR-104, em Branquinha
Polícia Civil cumpre prisão preventiva de investigado por tentativa de feminicídio
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Mulher é condenada a 17 anos por tentar matar enteado ao jogá-lo do quarto andar
Homem tenta evitar abordagem da PM, mas é flagrado e preso com arma e drogas em Anadia
Ivete Sangalo surge em hospital com machucados no rosto e relata susto: 'Desmaiei'
Vídeos e noticias mais lidas
Defesa de Vitinho repudia oferta de recompensa e afirma que jovem corre risco de vida
Secretário da Fazenda de Maceió cria dificuldades para pagar fornecedores
Planalto confirma 13º infectado em comitiva com Bolsonaro
Indústria brasileira do setor alimentício terá fábrica em Rio Largo
