[Vídeo] Apesar de resistência, ambulantes buscam se adequar ao reordenamento no Centro de Arapiraca
Principal dificuldade apontada por eles está em fazer na manutenção dos clientes no novo espaço
A vendedora ambulante de feijão de corda, Vânia Castro, trabalha na Rua Domingos Correia, no Centro de Arapiraca, há pelo menos 20 anos. Período em que o Mercado Público Municipal funcionava em frente ao ponto que ela passa o dia vendendo feijão para sustentar a família.
“São muitos anos aqui e eu já tenho meus clientes e prefiro trabalhar aqui no Centro, mesmo que eu precise me adequar e fazer o que for determinado pela prefeitura para me cadastrar e trabalhar aqui. Não estou no sol e na chuva porque quero não, é por necessidade mesmo”, relatou Vânia Castro.

A comerciante informal tem resistência de sair da área central da cidade porque teme perder os clientes e ir para uma região desconhecida e onde já tem ambulantes com espaços garantidos como o Mercado Público de Arapiraca, nas proximidades da linha férrea.
O reordenamento do Centro está sendo realizado por etapa pela Prefeitura de Arapiraca e deslocando os camelôs para áreas como o Mercado Público, a Praça do Artesanato e outras localidades fora da área central da cidade.
Segundo a sub-coordenadora do Centro pela Prefeitura de Arapiraca, Roberta Rodrigues Leane, que também é comerciante informal, o trabalho dos fiscais da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo é ordenar e disciplinar os ambulantes no Centro e promover a mobilidade urbana permitindo que as calçadas fiquem livres para o fluxo de pessoas, favorecendo clientela para os ambulantes e lojistas.

“Eu conheço os dois lados da moeda e sei o que favorece e não à classe, por isso fui convidada pela gestão para trabalhar diretamente com ele e estou dando a minha contribuição para que possamos resolver a situação dos ambulantes no Centro da cidade de forma ordenada e organizada com a parceria da prefeitura e dos próprios ambulantes”, ressaltou Roberta Leane.
Para apoiar os vendedores ambulantes no processo de reordenamento do Centro e durante as atividades de fiscalização da prefeitura, o atual presidente da Associação dos Vendedores Livres de Arapiraca (AVAL), Edson Bezerra Lima, acompanha todas as ações realizadas com os ambulantes.

“Eu acompanho porque fico por dentro de cada situação e durante a fiscalização se tiver alguma coisa fora da anormalidade a gente interfere na negociação e concilia para que tudo seja resolvido na mesma hora”, afirmou o presidente da AVAL.
Cadastramento e reordenamento
Com o cadastramento realizado pela Prefeitura de Arapiraca, o vendedor ambulante trabalha com a garantir de ter um banco de dados com todas as informações sobre ele à disposição dos fiscais da prefeitura.
É o caso do comerciante cadastrado e vendedor de frutas Anselmo Oliveira, que trabalha no calçadão do Largo Dom Fernando Gomes com a Rua do Sol há oito anos. Conhecido como Anselmo da Fruta, o ambulante trabalha padronizado e com crachá e se sente seguro em trabalhar dentro das normas estabelecidas pela prefeitura.

“Com tudo legalizado e cadastrado a gente fica mais organizado e respeitamos os espaços das calçadas e os fregueses procuram a gente para comprar mais”, declarou Anselmo da Fruta.
Exemplo de reordenamento e que está cada vez mais se adequando às mudanças é o do vendedor Noé Oliveira, que vendia sorvete na chama no calçadão da Rua Aníbal Lima, entre as praças Marques e Manoel André, um dos lugares mais movimentados do centro comercial de Arapiraca.
Com o trabalho de fiscalização e reordenamento, a prefeitura deslocou o vendedor de sorvetes para as instalações do Shopping Popular. Noé Oliveira se adaptou rapidamente ao novo local e está conquistando novos clientes dentro de um ambiente seguro e agradável onde trabalham dezenas de comerciantes.

“Fui notificado e me passaram que eu teria o apoio da prefeitura e me colocaram aqui no Shopping Popular e estou me adaptando à nova realidade para crescer e ficar mais conhecido, tive o apoio da prefeitura e a receptividade dos comerciantes que já trabalhavam aqui”, disse Noé que vende sorvete na chama e disse que o local é coberto e higiênico e que ele está satisfeito com a mudança.
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