Policiais Militares suspendem Força Tarefa em Alagoas para reivindicar melhorias salariais
Medida reduz a quantidade de guarnições em policiamento ostensivo e pode ter efeitos sobre a criminalidade
Policiais Militares suspendem, a partir desta terça-feira (1º), a Força Tarefa, programa presente em toda Alagoas e que foi classificado pelo Estado como um dos responsáveis pela redução da violência. Com a paralisação por tempo indeterminado, a quantidade de guarnições fazendo policiamento ostensivo e atendendo as ocorrências terá uma redução significativa.
O movimento, que teve início no 6º Batalhão, em Maragogi, tem a adesão dos praças de todo o Estado. A categoria reivindica melhorias no pagamento das horas extras da Força Tarefa, que desde que foi criada paga R$ 120 por seis horas de serviço, e ainda o escalonamento vertical, que define que atrela os salários das patentes inferiores aos vencimentos dos coronéis. De acordo com soldados, o salário da patente deveria corresponder a 20% dos vencimentos dos coronéis, assim como o do cabo deveria ser de 25% e sargento, 30%. Segundo eles, esse percentual não é cumprido e ainda tem como consequência atrasos nas promoções de patente por tempo de serviço.
A Força Tarefa foi criada em Alagoas em março de 2017, com a missão de auxiliar a Segurança Pública na redução da violência no Estado, além de aparelhar as forças policiais com as viaturas conhecidas como "amarelinhas", que além de atender as ocorrências e atuar no patrulhamento ostensivo, também reforçam o efetivo dos municípios atendidos por Centros Integrados de Segurança (Cisps). Os policiais militares se voluntariam para cumprir 6h de serviço durante a escala de folga, recebendo horas extras, possibilitando o aumento na quantidade de policiais nas ruas.
Em Arapiraca, o movimento não afeta o policiamento ordinário, com Rádio Patrulha, Pelopes, Canil e Cavalaria. Os policiais militares permanecem cumprindo normalmente a escala de serviço, as, ao não se inscreverem para a Força Tarefa, deixam o policiamento deficiente.
"O patrulhamento ordinário não consegue dar conta de tudo. Uma média de dez amarelinhas circulam nas ruas só na parte da manhã, mas umas seis no período da tarde e sete ou oito à noite. Sem elas, o policiamento fica deficiente", afirmou um PM.
A paralisação da Força Tarefa teve início no mesmo dia em que o 3º Batalhão atuou em uma operação policial deflagrada pela Segurança Pública que resultou na prisão de dez pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. A ação policial teve participação das "amarelinhas", mas os mandados judiciais foram cumpridos pelos policiais que estavam na escala de serviço do dia.
O comandante do BPM, tenente-coronel Eliezer Lisboa, em entrevista para a imprensa, minimizou o movimento dos militares, informando que o secretário de Segurança Pública, Alfredo Gaspar, estaria discutindo com o governador Renan Filho a pauta de reivindicações da categoria. "Tenho certeza que não vai ser necessário paralisação. As tropas não vão se deixar levar por informações desencontradas", declarou.
Segundo praças lotados no Batalhão, já no primeiro dia, o movimento contou com boa adesão, que deve aumentar ainda mais nos próximos dias, apesar de os praças estarem proibidos de se manifestarem publicamente sobre o movimento, sob o risco de serem acusados de motim, que é crime militar.
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