Uso de redes em UTI neonatal ajuda na recuperação dos bebês prematuros
Hospital Regional de Arapiraca adota a terapia que simula o aconchego intrauterino
Silêncio no quarto: as crianças estão descansando, em redes. Isso mesmo, no Hospital Nossa Senhora do Bom Conselho, em Arapiraca, bebês prematuros atendidos na Unidade Neonatal experimentam um tratamento terapêutico muito conhecido - adorado pelos nordestinos - e que tem efeitos na hemodinâmica.
“As redes simulam o aconchego intrauterino, além de ser uma grande estratégia de humanização. Elas proporcionam um melhor desenvolvimento neuropsicomotor; melhora do padrão flexor, aproximação da mão à linha média do corpo e da boca, dando simetria e melhorando a maturidade muscular, além de diminuir o stress o que contribui com um menor gasto energético, auxiliando no melhor ganho de peso”, esclareceu a fisioterapeuta do Complexo, Lívia Tereza.
Indicada apenas para pequenos pacientes em condições de estabilidade, as redes foram produzidas pela própria equipe do Regional, com apoio dos profissionais da Rouparia e por Dona Andrade, técnica de enfermagem, conhecida por suas habilidades manuais. Os pequenos artefatos de descanso seguem orientação da Rede Cegonha, do Ministério da Saúde.
A permanência dos bebês nas redes pode oscilar entre 6 e 12 horas, com mudança de postura indicada pelas profissionais em intervalos. “Os prematuros que podem deitar nelas precisam estar em condições de estabilidade, inclusive sem uso de equipamentos como o oxímetro. “O ar é o ambiente e nesses horários eles são poupados de manipulação e até as luzes são apagadas”, explicou Livia.
Hora do Descanso com Rotinas Organizadas
Além do uso das redes, o cuidado dos bebês na UTI Neo obedece a outros padrões e critérios de humanização, como as Rotinas Organizadas. “A escala dos profissionais tende a obedecer essas regras afim de que as crianças não sejam incomodadas. Os horários são agregados para que eles possam ser vistos e examinados, cuidados e alimentados para que descansem, sem dores ou aperreios”, reforçou o médico pediatra, Emanuel Fonseca. “Nas redes os bebês se sentem como no útero materno”, acrescentou.
O balanço das redes ainda não é uma prática, embora a depender do caso possa acontecer. “Também estamos estudando o uso de música”, comentou a fisioterapeuta. “O que não impede de que se fale e cante enquanto eles descansam”, finalizou a profissional, entusiasmada com as melhorias de seus pequenos pacientes em seus redários.
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