Polícia

IC pede extensão de prazo para realizar simulação de abordagem policial que deixou empresário baleado

Portal 7Segundos conversou com o delegado Sidney Tenório, que atua no caso em parceria com os delegados Filipe Caldas e Caso Rodrigues

Por 7Segundos 30/11/2022 16h04 - Atualizado em 30/11/2022 18h06
IC pede extensão de prazo para realizar simulação de abordagem policial que deixou empresário baleado
Marcelo Leite tem 31 anos e seu estado de saúde é considerado gravíssimo - Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

A reprodução simulada sobre a abordagem policial que deixou o empresário arapiraquense Marcelo Leite gravemente ferido não deve ser realizada até o dia 6 de dezembro, como determinava o juiz Rômulo Vasconcelos de Albuquerque.

O Instituto de Criminalística (IC) pediu a extensão do prazo à Justiça para que o trio de delegados responsável pela investigação possa ouvir mais testemunhas e, com isso, ter versões conflitantes sobre os fatos.

O Portal 7Segundos conversou com o delegado Sidney Tenório, que atua no caso em parceria com os delegados Filipe Caldas e Cayo Rodrigues, que falou sobre o andar das investigação.

"Já ouvimos algumas pessoas, dentre as quais o pai e a esposa da vítima, além de uma testemunha ocular que estava em frente a sede do 3º Batalhão de Polícia Militar no momento do crime. Ainda temos outras pessoas para ouvir. Se a reprodução fosse feita agora seria apenas com a versão dos PMs e a intenção não é essa, mas sim dirimir dúvidas", explicou o delegado.

Ainda segundo Sidney Tenório, o revólver apresentado pelos policiais militares como sendo o que Marcelo Leite teria supostamente utilizado contra a guarnição já foi encaminhado para perícia, assim como a carabina calibre 5.56 utilizada pelos policiais no dia da abordagem. Esta última foi encaminhada para a Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic), para que haja confirmação de que, de fato, esta foi a arma que atingiu o veículo e feriu a vítima.

Sobre o caso

Marcelo Leite dirigia um veículo Hyundai Creta de cor preta e teria, segundo a guarnição policial envolvida, passado em alta velocidade por um "quebra-molas" e, em seguida, desobedecido a uma ordem de parada. No relato do flagrante registrado pela PM, os militares informaram que o empresário teria apontado uma arma para a guarnição, que reagiu atirando em direção ao pneu do veículo. Um desses tiros, que teria sido proveniente de um fuzil, perfurou o porta-malas e atingiu Marcelo nas costas. 

A família da vítima refuta o relato dos policiais e afirma que o empresário nunca possuiu arma de fogo.

De acordo com o advogado Victor Oliveira, contratado pela família de Marcelo Leite, a abordagem policial apresenta inconsistências.

"Em breves levantamentos realizados até o momento, constatou-se que a arma de fogo apreendida na ocorrência não foi acondicionada de forma correta. O invólucro em que está a arma e as munições é inadequado, comprometendo a cadeia de custódia da prova e prejudicando a perícia técnica a ser realizada para auferir possíveis impressões digitais", disse ele.

Outra situação que chama a atenção da família e que é sustentada pelo advogado é o fato de que o carro do empresário foi retirado do local onde o fato ocorreu sem a autorização da família ou a presença da perícia técnica.

“Vamos aguardar a investigação para que, se for comprovada a negligência e imperícia dos policiais que participaram dessa ocorrência, que todas as medidas sejam tomadas”, finalizou o advogado.

ESTADO DE SAÚDE

Marcelo Leite estava internado na Santa Casa de Misericórdia de Maceió e, na noite desta terça-feira (29), foi transferido, em caráter de urgência, para o Hospital Beneficência Portuguesa do Mirante, em São Paulo.

Seu estado de saúde ainda é considerado gravíssimo e, na última semana, ele teve um choque séptico, que é o resultado de uma infecção que se alastra pelo corpo. Além disso, também foi detectado um sangramento interno.

O translado para São Paulo foi realizado através de táxi aéreo fretado pela família.