Família resgatada de cárcere passa por reabilitação após 17 anos de terror
O agressor, Luiz Antonio Santos Silva, que era companheiro da vítima, foi preso em flagrante.
Após cinco meses do resgate, a família que passou 17 anos em cárcere privado tenta se recuperar dos momentos de terror que passou. Uma mulher, de 41 anos, e os dois filhos viviam amarrados em uma cama, dentro de um imóvel em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, e foram resgatados em 28 de julho pela Polícia Militar. O agressor, Luiz Antonio Santos Silva, que era companheiro da vítima, foi preso em flagrante.
Conforme a reportagem de Vera Araújo, do jornal O Globo, ao sair do imóvel, a X. percebeu o quanto as coisas haviam mudado durante aqueles anos. Sem acesso a notícias, ela teve um choque ao saber da morte do Rei do Pop, Michael Jackson. “Morreu Michael Jackson! Eu era fã dele!”, afirmou à reportagem.
Sem nunca ter tido contato com a tecnologia, pela primeira vez, agora, ela tem um celular, e foi apresentada ao WhatsApp pelas assistentes sociais e psicóloga da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), que dão apoio à família. No aplicativo, ela posta as fotos dela e dos filhos para os parentes que reencontrou.
O Cárcere
X. só tinha contato com o homem que surrava, a ela e aos filhos, com um fio de cobre. Perdeu a juventude, não viu a vida passar e agora descobre tudo o que mudou aqui fora do imóvel. “Ele sempre dizia que, caso eu fugisse ou o abandonasse, ele viria me matar”, contou à reportagem do O Globo. “Eu vou ao supermercado e ninguém me reconhece. Melhor assim”.
Santos Silva e a vítima são primos de primeiro grau, e se conheceram quando ele foi visitar a família no Rio. Somente na segunda visita, ela com 17 anos e ele com 26, é que começaram a se relacionar. A mulher engravidou quando faltava um ano para terminar o ensino médio, e depois do nascimento da filha, ele a proibiu de estudar.
“Naquela época havia muita fofoca porque engravidei cedo e de um primo. Dali em diante, ele passou a me trancar em casa. Minha mãe tentava me visitar, mas ele não permitia. Eu cheguei a fazer o pré-natal, mas só com ele junto. Tive minha filha em 3 de maio de 2000. O bebê não chorou, mas as enfermeiras disseram que algumas crianças não choravam mesmo. Parecia tudo normal, até eu perceber que ela demorava para se desenvolver”, contou.
Depois, ela engravidou do segundo filho, que segundo X, chorou depois do nascimento, e até andou rápido, mas seu desenvolvimento regrediu. “Começaram a fazer tratamento, mas ele começou a dizer que era perda de tempo e não fomos mais”, contou a vítima.
Cinco anos depois, a família se mudou para Guaratiba e Santos Silva não informou o endereço a qualquer conhecido, dando início ao cárcere. Os filhos não tiveram contato com outras pessoas durante a infância, e quem vê os jovens de 22 e 20 anos percebe logo os problemas neurológicos, marcas visíveis do período em que passaram trancados. O corpo e a mentalidade são de crianças de pouca idade.
Violência
“Chamava as crianças de doentes mentais, passando a deixá-las amarradas à cama todo o tempo. Quando ele ia dormir, eu afrouxava as cordas para eles dormirem melhor, mas ele me batia ao perceber o que tinha feito. Havia dias que eles acordavam com as mãos inchadas de tanto que ele apertava. Ainda me acusava de as crianças serem doentes”, relembra a mulher.
Constantemente, eles eram agredidos, e a mulher, estuprada. Segundo o relato, ele deixava as crianças amarradas na sala e a levava para o quarto. Mesmo dizendo que não queria, ele praticava o ato. Ela chegou a falar que queria se separar, mas era ameaçada de morte. “Ele tentou me enforcar. Apertou meu pescoço mais de 10 vezes. Numa delas, cheguei a desmaiar. Ainda tinham as surras com fio nas crianças”, conta.
Durante o cárcere, era somente arroz e feijão, e quando estava para acabar, somente o agressor se alimentava. Ela e os filhos chegaram a ficar sem comer nada por quatro dias.
Resgate e vida nova
Quando eles foram resgatados, estavam desnutridos, muito magros e com o tom da pele amarelado. Depois de cinco meses, os três ganharam peso. Além disso, moram em uma nova casa. Os colchões sujos e úmidos, deram lugar a camas de verdade. Agora, eles tem fogão e uma geladeira com comida, evento raro durante os 17 anos de cárcere.
O foco de X. é para a reabilitação dos filhos, além de que eles tenham a capacidade de estudar em 2023. Ela também deseja voltar a estudar, concluir o ensino médio e cursar enfermagem.
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