Cultura

[Vídeo] VS Estilizado : Do caminhão pau de arara para os palcos da vida

Cantor teve oportunidade de mostrar seu talento em show de Iguinho e Lulinha

Por Vilceia Melo 04/06/2023 08h08 - Atualizado em 04/06/2023 08h08
[Vídeo] VS Estilizado : Do caminhão pau de arara para os palcos da vida
VS Estilizado - Foto: 7Segundos

Os primeiros acordes que Josivaldo Souza da Silva,29 anos,  aprendeu foi em um violão emprestado do irmão do cunhado dele. Nessa época, com 13 anos,  não imaginaria que um dia subiria em um palco pra cantar ao lado de Iguinho e Lulinha - uma das mais famosas duplas de forró de vaquejada do país.

O Portal 7Segundos conversou com Valdo Souza - o VS Estilizado (vsestilizado_oficial) - para saber mais sobre a história desse sertanejo alagoano que segue com persistência o sonho de um dia se tornar tão famoso quanto seus ídolos nacionais.

No estudios do 7Segundos em Arapiraca ele contou que desde muito pequeno sempre pensava em ser cantor e queria aprender a tocar teclado com o objetivo de realizar seu sonho. Mas a realidade difícil no povoado Xexéu de Cima, na zona rural de Estrela de Alagoas, no Sertão alagoano, tornava esse desejo muito distante.


Sem condições de adquirir qualquer instrumento musical, só foi aprender a tocar os primeiros acordes aos 13 anos com um violão emprestado. "Eu comprei uma revista que ensinava fazer os acordes e com uma semana aprendi a primeira música "Entre tapas e beijos de Leandro e Leonardo", revelou.

A família de agricultores via o interesse do jovem em se dedicar a carreira musical mas a condições financeiras não permitiam que ele tivesse ao menos seu próprio instrumento para treinar com mais frequência os acordes que estava aprendendo. Foi então,  que um irmão dele, que nessa época trabalhava em São Paulo, enviou, da capital paulista um violão  para Valdo Souza.

"Foi o melhor presente que eu ganhei na vida. Desde então não larguei mais o violão. Onde eu ia, ele me acompanhava", afirmou. 

Quando ele ganhou o violão tinha cerca de 17 anos e estava concluindo o ensino médio na Escola Estadual Luiz Duarte, no Centro de Estrela de Alagoas. O trajeto do povoado Xexéu de Cima - onde ele morava - até a escola, era realizado em cima de um caminhão pau de arara numa estrada de terra batida com muitos buracos.


VS Estilizado ainda guarda o primeiro violão que ele ganhou do irmão 

"O trajeto durava cerca de 40 minutos e todos os dias eu aproveitava  esse percurso para cantar e tocar no caminhão pau de arara.  Meus colegas de escola e os outros estudantes de vários povoados rurais que iam nesse mesmo veículo me incentivam a continuar persistindo no meu sonho de um dia me tornar um cantor profissional, contou VS Estilizado.

A cultura do Sertão fazia parte do cotidiano do então estudante de 17 anos. O sofrimento do sertanejo, a lida do campo e as pegas de boi no mato foram elementos utilizados para ele compor uma toada e vencer um concurso  na escola onde estudava.

Mas dos 17 anos até os 29 anos atuais, Valdo Souza, precisou trabalhar em outras áreas para se manter finaceiramente e sustentar a familia. Assim como o irmão dele, também foi tentar a vida na "selva de pedra paulista" , e lá permaneceu por cerca de três  anos trabalhando em metalúrgicas.


Foto ilustração de um caminhão pau de arara que era utilizado pra transportar estudantes 

No retorno a Alagoas, também exerceu as funções de frentista de posto de combustível, montador de eletrodoméstico e manobrista. Apesar de ter que trabalhar em outras funções bem distantes da área musical, no seu coração ainda pulsava o desejo ardente de cantar.

"Foi quando conheci o Pedrinho Teclas, e começamos a fazer  apresentações como cantor profissional. E o sonho que estava um pouco adormecido em função de minhas obrigações como pai de família, reacendeu", revelou VS Estilizado.


A primeira grande oportunidade de mostrar seu talento foi recentemente quando ele teve  subiu no palco e cantou  com a dupla Iguinho e Lulinha em show realizado em Igreja Nova, na região do Baixo São Francisco de Alagoas.

" É uma emoção  indescritível cantar ao lado de artistas reconhecidos nacionalmente e assim como eu, também são de orígem humilde, do interior sergipano. São oportunidades como essa que mudam a vida da gente. Tenho fé que um dia também serei reconhecido nos palcos dessa Brasil afora", finalizou.