Polícia registra mais de 19 casos de violência doméstica e familiar durante feriado na Região Metropolitana do Agreste
Número é ainda maior, levando em consideração a subnotificação dos casos, já que nem toda vítima aciona a PM
Os órgãos de segurança pública de Alagoas enfrentaram, entre o dia 1º e a madrugada do dia 2 de janeiro de 2025, um volume alarmante de ocorrências envolvendo violência contra mulheres. Somente nas últimas 24 horas, o 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM) registrou 19 chamadas relacionadas ao tema, confirmando uma tendência que se intensifica durante feriados prolongados: o aumento de conflitos domésticos, frequentemente agravados pelo abuso de álcool.
As ocorrências variaram entre ameaças, agressões físicas e fiscalizações de medidas protetivas. Em Arapiraca, o caso mais grave ocorreu no bairro Bom Sucesso, onde uma mulher relatou ter sido ameaçada pelo ex-genro, que descumpriu uma medida protetiva. Apesar de ele ter fugido antes da chegada da polícia, a vítima foi orientada a registrar nova denúncia. Em Girau do Ponciano, uma jovem agredida pelo marido foi hospitalizada após as agressões e informou que as ameaças se estendiam a toda sua família.
Outros casos incluem situações de ameaça sem agressão física. No bairro Planalto, em Arapiraca, uma mulher pediu ajuda para afastar o filho embriagado de casa. Em Craíbas, uma mãe relatou que o filho, sob efeito de álcool, estava causando tumulto e ameaçando o pai.
A Patrulha Maria da Penha também atuou ativamente, cumprindo fiscalizações de medidas protetivas em diversos bairros de Arapiraca, como Bom Sucesso, Massaranduba e Baixão. As vítimas foram ouvidas e documentações encaminhadas ao Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
A relação entre o aumento das ocorrências de violência doméstica e os períodos de feriados é amplamente reconhecida. Segundo especialistas, o consumo excessivo de álcool e o convívio prolongado em ambientes familiares tímidos podem ser gatilhos para discussões que evoluem para episódios de violência.
Dados preliminares indicam que grande parte dos agressores estava sob efeito de álcool no momento das ocorrências. Em muitos casos, o histórico de violência já era conhecido pelas autoridades, evidenciando a importância de mecanismos preventivos, como as medidas protetivas.
ONDE BUSCAR AJUDA
É fundamental que as mulheres em situação de violência doméstica e familiar saibam que não estão sozinhas e que existem diversos canais de apoio e proteção.
No Brasil, o Ligue 180 é o principal canal de denúncia e orientação. A ligação é gratuita e funciona 24 horas, atendendo em todo o território nacional. Além disso, a Polícia Militar pode ser acionada pelo número 190 em casos de emergência.
No estado de Alagoas, há ferramentas específicas para auxiliar as mulheres em situação de violência. Uma delas é o Ártemis, uma plataforma online criada pelo Tribunal de Justiça de Alagoas. Essa ferramenta permite que mulheres solicitem medidas protetivas sem sair de casa, garantindo maior agilidade e acessibilidade no enfrentamento à violência.
A plataforma Ártemis está disponível nos municípios de Maceió, Arapiraca e Craíbas. Para utilizá-la, basta acessar o site do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) e preencher um formulário com informações pessoais e detalhes sobre a situação de violência. O pedido é então encaminhado para análise judicial, podendo resultar na concessão de medidas protetivas de urgência.
Essa iniciativa tem como objetivo facilitar a oficialização de denúncias e a solicitação de proteção, especialmente para mulheres que enfrentam dificuldades em acessar fisicamente os serviços da Justiça.
A rede de apoio inclui também delegacias especializadas no atendimento à mulher, centros de referência em assistência social e unidades de saúde, que oferecem atendimento psicológico, jurídico e social. Esses serviços atuam de forma integrada para garantir a proteção, o acolhimento e a orientação às vítimas.
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