Justiça

Denúncia do MP sobre caso de estupro de jovem aponta graves sequelas sofridas pela vítima

Jovem poderia ter sofrido um choque anafilático devido às substâncias encontradas em sua corrente sanguínea, aponta denúncia

Por 7Segundos com Ascom/MPAL 03/04/2025 15h03 - Atualizado em 03/04/2025 19h07
Denúncia do MP sobre caso de estupro de jovem aponta graves sequelas sofridas pela vítima
Maria Daniela, 19 anos, ficou com sequelas neurológicas após sofrer abuso sexual - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Ministério Público Estadual informou que vem acompanhando de perto o caso da jovem Maria Daniela, vítima de crime de estupro ocorrido em dezembro de 2024, em Coité do Nóia, município do Agreste de Alagoas, através da Promotoria de Justiça de Taquarana, representada pelo promotor Sérgio Ricardo Vieira Leite, que ofertou denúncia do autor à justiça no dia 28 de fevereiro, apesar do caso ter ganhado repercussão nos últimos dias.

O promotor Sérgio Ricardo Vieira Leite, responsável pela elaboração do documento, foi quem atuou diretamente com a Delegacia de Polícia e também colhendo informações sobre o laudo técnico-científico para adotar as providências.

O MP confirma que o caso em questão se deu em uma chácara no Sítio Poção, em Coité do Nóia, onde a vítima, além do estupro, sofrera outras agressões físicas comprovadas nos hematomas espalhados pelo corpo. Também de acordo com as análises feitas pelo neurologista, a jovem teria ficado sem respiração por um determinado período, o que teria comprometido o cérebro.

“Assim que tomamos conhecimento do caso, iniciamos o acompanhamento mantendo os contatos necessários com as autoridades para saber sobre o andamento do inquérito, dos laudos periciais e fazendo todos os levantamentos que pudessem respaldar a denúncia. Trata-se de um crime bárbaro, cheio de agravantes, planejado, visto que o acusado, para o cometimento do crime, dopou a jovem para garantir que seus desejos sexuais acontecessem sem qualquer tentativa de impedimento. Havia indícios suficientes de autoria e materialidade, com depoimentos da vítima e testemunhas, documentos emitidos pelos médicos e pela polícia científica e reforçamos a representação da polícia civil pedindo a decretação da prisão do autor que se encontra foragido”, declara o promotor de Justiça Sérgio Ricardo.

Na denúncia, o membro ministerial destacou as sequelas deixadas pela extrema violência à qual a vítima foi submetida necessitando de internação por 19 dias, cinco deles em estado de coma. Exames periciais apontaram que na corrente sanguínea da moça havia substâncias de Diazepan, Fenitopina, Haloperidol, Nordiazepan e Prometazina, como antecipou o 7Segundos em matéria publicada esta semana no dia 02 de abril.


Pelo “coquetel” de medicamentos ingeridos pela vítima, o caso poderia ter culminado, inclusive, em morte, pois o alto nível das substâncias entorpecentes encontradas em seu organismo afetam o coração. Para que se tenha uma ideia da gravidade, segue pesquisa de alguns efeitos colaterais.

A Fenitopina, por exemplo, causa sonolência, tontura; o Haloperidol deixa quem ingere com problemas para controlar o movimento dos braços ou pernas; já o Nordiezapan causa moleza, Fraqueza muscular, Perda de peso rápida, Dificuldade para respirar e deglutir, dificuldade para erguer objetos e para suportar peso nos ombros, braços e pernas, além de causar perda do equilíbrio; e a Prometazina, que além da sonolência e sedação, provoca alterações cardíacas e confusão, .

“Não há dúvidas, diante dos laudos, de que os efeitos colaterais de todos os medicamentos juntos poderiam causar um choque anafilático. As consequências da perversidade foram tão graves que ela fez uso de cadeira de rodas, de fraldas descartáveis e, até o momento, continua com algumas limitações”, conclui o promotor.