Durante júri, ex-namorado de Roberta Dias confessa assassinato e isenta mãe de envolvimento
Saulo, que era menor de idade na época do crime, afirmou que agiu sozinho ao planejar o assassinato da jovem grávida em 2012, no município de Penedo
O segundo dia do julgamento pelo assassinato de Roberta Costa Dias, ocorrido em 2012, em Penedo, no Baixo São Francisco alagoano, foi marcado por uma revelação decisiva: Saulo, então namorado da vítima e pai do bebê que ela esperava, confessou em depoimento que premeditou sozinho o crime que tirou a vida da jovem de 18 anos, grávida de três meses. O depoimento de Saulo durou cerca de duas horas e trouxe à tona detalhes sobre o planejamento da ação e o envolvimento de outros acusados.
Segundo ele, o amigo Karlo Bruno Pereira Tavares, conhecido como “Bruninho”, só teria tomado conhecimento do plano criminoso no momento em que foram buscar Roberta, pouco antes do assassinato. A declaração, feita diante do júri popular nesta quinta-feira (24), isenta parcialmente Bruninho de envolvimento prévio, embora ele siga respondendo como réu pela execução do crime.
Saulo também afirmou que a mãe dele, Mary Jane Araújo Santos — também ré no processo — não sabia de nada no dia em que o crime foi cometido. A declaração pode influenciar na avaliação do júri sobre a participação da mulher, acusada de envolvimento direto na trama que levou à morte de Roberta.
Mary Jane e Bruninho estão sendo julgados pelos crimes de homicídio qualificado, aborto provocado por terceiro, ocultação de cadáver e corrupção de menores. A audiência desta quinta-feira contou com a oitiva das testemunhas arroladas pela defesa e, na sequência, o interrogatório dos dois réus.
O julgamento teve início na quarta-feira (23), com os depoimentos de oito testemunhas indicadas pela acusação. A previsão é que os debates entre defesa e Ministério Público aconteçam na sexta-feira (25), com cada parte dispondo de até duas horas e meia para apresentação de suas teses, além das possibilidades de réplica e tréplica.
O Ministério Público do Estado de Alagoas é representado pelo promotor de Justiça Sitael Jones Lemos, da 4ª Promotoria de Justiça de Penedo, que também foi responsável pela denúncia oferecida em 2018. Segundo a acusação, Roberta foi atraída até uma área próxima a um posto de saúde, onde foi asfixiada e teve o corpo ocultado. O motivo do crime, segundo o MP, foi a não aceitação da gravidez por parte dos acusados.
O caso comoveu a população de Penedo e ganhou grande repercussão. O desaparecimento de Roberta ocorreu em abril de 2012, e sua ossada só foi localizada nove anos depois, em 2021, na região da Praia do Pontal do Peba, no município de Piaçabuçu.
O julgamento segue em andamento e deve ter desfecho nesta sexta-feira (25).
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