Lula se reuniu com evangélicos em busca de votos para aprovação de indicação de Jorge Messias ao STF
Petista começou articulações antes do anúncio oficial do escolhido para a sucessão de Barroso
Antes mesmo de confirmar oficialmente o nome do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a trabalhar pelos votos no Senado. A aproximação com líderes evangélicos é parte dessa estratégia.
Foi numa sala reservada do Palácio do Planalto, ao lado do bispo Samuel Ferreira, líder máximo da Assembleia de Deus Madureira, que Lula deu início à costura política mais sensível da temporada: garantir votos no Congresso para a indicação de Jorge Messias ao Supremo.
O encontro, que também contou com o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP) --articulador experiente nas relações entre o Executivo e as bancadas religiosas--, teve o tom de gesto simbólico, mas o objetivo prático de abrir diálogo com o setor evangélico e reduzir resistências no Senado.
Entre orações e acenos políticos, Lula começou a preparar o terreno para transformar o nome de Messias, favorito para a sucessão do ministro Luís Roberto Barroso, em um consenso possível.
Sinal ao mundo evangélico
A reunião com Samuel Ferreira e Cezinha foi o ponto de partida de uma estratégia mais ampla do Planalto para reconstruir pontes com o mundo evangélico, que se distanciou durante os anos de Jair Bolsonaro (PL) como presidente.
Reconhecimento
Segundo a apuração do Terra, durante a votação de André Mendonça no Senado, em 2021, parte dos votos decisivos veio de senadores do PT, com o aval reservado de Lula, que enxergava na aprovação um gesto de estabilidade institucional em meio às tensões entre o Supremo e o Planalto à época.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que Cezinha de Madureira teve papel direto nessas articulações, promovendo jantares e conversas que ajudaram a amenizar resistências à indicação. Para fontes próximas ao governo, o convite recente para que Cezinha retornasse ao Planalto ao lado de Jorge Messias é visto como um reconhecimento de sua capacidade de articulação, agora em torno da nova vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.
Eleitorado evangélico
Lula sabe que não mudará a percepção do eleitorado de uma hora para outra, mas aposta em gestos políticos que indiquem respeito e abertura de diálogo. A eventual nomeação de Messias --um servidor de carreira com trajetória jurídica consolidada-- é vista por aliados como um gesto duplo: consolida um aliado leal e envia um sinal de aproximação a um setor que o governo tenta reconquistar.
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