Educação

Alunos da rede estadual contam como foi a experiência de estudar em Oxford, na Inglaterra

Participantes da edição de 2025 compartilham aprendizados na “Cidade dos Pináculos Sonhadores” e incentivam novos estudantes a se inscreverem no programa

Por 7Segundos com Ascom Seduc 26/01/2026 15h03
Alunos da rede estadual contam como foi a experiência de estudar em Oxford, na Inglaterra
Iniciativa já levou cerca de 150 alunos para o exterior - Foto: Alexandre Teixeira / Ascom Seduc e Marina Sales / Agência Alagoas

Com o próximo embarque agendado para o período entre maio e junho de 2026, o programa Daqui Pro Mundo continua a consolidar destinos e a transformar trajetórias. Realizado pelo Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), a iniciativa já levou cerca de 150 alunos para o exterior, estabelecendo-se como a maior política pública de bilinguismo e meritocracia do estado.

O destino de 20 dos 100 estudantes contemplados na segunda edição, em 2025, não poderia ser mais emblemático: Oxford, na Inglaterra. Conhecida como a “Cidade dos Pináculos Sonhadores”, a localidade abriga a universidade mais antiga do mundo de língua inglesa, onde mentes como as de Stephen Hawking, Oscar Wilde e os 28 primeiros-ministros britânicos foram formadas. É nesse cenário, entre construções medievais e tradição acadêmica, que os jovens alagoanos escreveram seus próprios destinos.


De Igaci para o mundo


Antes do intercâmbio, Elysa Novais, de 16 anos, aluna da Escola Estadual de Coité das Pinhas, em Igaci, via o futuro através de uma lente limitada. Embora extrovertida, a distância entre o interior de Alagoas e os grandes centros globais parecia intransponível. “Depois de um mês morando e estudando em Oxford, passei a enxergar o mundo com outros olhos. Entendi que eu também posso ocupar espaços grandes e correr atrás dos meus sonhos”, afirma Elyssa.

Para ela, o maior aprendizado foi a autonomia. Em uma cidade onde o transporte por bicicleta é regra e a pontualidade é britânica, a estudante precisou amadurecer rápido. “O ‘viver por conta própria’, sem meus pais e amigos por perto, me fez sair da minha zona de conforto e andar com minhas próprias pernas”, relata a intercambista.

O choque cultural e a nova perspectiva


Para Kathelyn Sâmmya, 17, aluna da Escola Estadual Francisco Leão, em Rio Largo, que também vivenciou esse momento, a ficha sobre a magnitude da viagem só caiu no momento do embarque. “O choque de realidade bateu quando eu entrei no avião e pensei: ‘É real, eu tô indo pra Inglaterra’. Foi um misto de animação, apreensão, e acima de tudo, gratidão”, recorda Kathelyn.

Em Oxford, Kathelyn não encontrou apenas livros, mas uma cultura de profundo respeito às normas e gentileza urbana. A cidade é famosa por ter inspirado Lewis Carroll a escrever “Alice no País das Maravilhas” e por servir de cenário para diversos filmes da saga “Harry Potter”. Caminhar por aquelas ruas mudou os planos de carreira da estudante.

“Antes, eu planejava minha vida inteira no Brasil. Depois de toda a experiência em Oxford, conhecendo a cultura e o modo de vida, passei a desejar morar fora e talvez até me formar em outro país. Essa experiência abriu meus olhos e me fez perceber as oportunidades maravilhosas que o mundo lá fora pode oferecer”, destaca a estudante. O programa não é apenas uma viagem; é uma recompensa ao esforço. Ao exigir dedicação e excelência nos estudos, o Daqui Pro Mundo prova que a meritocracia, quando apoiada por políticas públicas, é capaz de abrir portas internacionais para os alunos da rede estadual. Kathelyn deixa um recado para os colegas que ainda hesitam em se inscrever. “Mesmo com medo, vale a pena tentar. Quando você acredita em si e se esforça, o sonho deixa de parecer impossível. Aprendi que confiar em si mesmo faz toda a diferença”, conclui a intercambista.

Onde o sonho ganhou forma


A imersão aconteceu na prestigiada The Oxford English Centre (OEC). Localizada no coração da cidade histórica, a escola é referência no ensino da língua inglesa, apostando em turmas reduzidas e atendimento personalizado para garantir que cada estudante alagoano absorvesse o máximo da experiência. Mais do que gramática, a escola ofereceu um mergulho pleno na cultura britânica através de atividades sociais que promovem o intercâmbio com jovens de diversas nacionalidades.

Diário de intercâmbio


Arthur Sávio,17, é aluno da Escola Estadual Pedro Joaquim de Jesus, em São Miguel dos Campos. Estar em Oxford foi o encontro perfeito com sua paixão pela literatura. Escritor e leitor ávido, ele viu na cidade – berço de gênios como J.R.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis) e Lewis Carrol (Alice no País das Maravilhas) – o cenário ideal para expandir seus horizontes. "Apreciar a literatura em um polo literário global, cercado por bibliotecas históricas, foi uma experiência única para aprimorar minha escrita e meus conhecimentos", afirma Arthur. Ele conta ainda que o intercâmbio foi um verdadeiro caldeirão cultural. “Dividimos a sala com pessoas do mundo todo – da China, Itália, França e Alemanha. Os professores eram muito carismáticos e as aulas nunca eram paradas. Sempre tinha uma dinâmica diferente, como o Wordle, Kahoot ou jogos de adivinhação, o que facilitava o aprendizado”, relembra o estudante.

Nos intervalos, o pátio da escola virava o ponto de encontro oficial. Entre uma aula e outra, os alunos se relaxavam em uma sala de jogos equipada com mesa de ping-pong e raquetes de Badminton. “Tinha até umas bolas de ping-pong quebradas que rendiam boas risadas”, diverte-se Artur. Ele conta que, mesmo no coração da Inglaterra, havia toque do Brasil. “No restaurante da escola havia brasileiros servindo a comida, então a gente se sentia em casa”, afirmou.

A autonomia era outro ponto forte da experiência. Com um crachá que garantia acesso gratuito aos ônibus de toda cidade, os estudantes exploraram Oxford após as aulas. “A gente ficava na escola das 7h30 até as 16h30. Depois, podíamos sair para passear ou fazer compras, contando que estivéssemos em grupo e com o monitoramento por GPS ativado para acompanhar nossa localização em tempo real. A dica que dou é baixar o aplicativo de ônibus local para não perder os horários”, recomenda.

A integração não parava nos estudos. A escola promovia eventos constantes, como noites de karaokê, exibições de filmes e até o “Murder Mystery” (um jogo de mistério). Segundo Artur, essas atividades traziam para cada dia uma experiência diferente. Ele lembra ainda com humor até do churrasco britânico. “Vou ser real, não é nada demais, apenas hambúrguer e cachorro-quente, bem diferente do nosso”, brinca.

Para os futuros intercambistas, Artur deixa um conselho sobre as relações humanas e a resolução de problemas. “O que torna tudo especial foram as pessoas. Conversem com todo mundo, principalmente com os estrangeiros, para conhecer a cultura deles cara a cara. E se algo não estiver legal, como aconteceu com uma professora específica que não gostamos muitos, não tenham medo de falar. O mentor ou a equipe da escola vão fazer de tudo para ajudar. Não guardem o problema para vocês, busquem a mudança para aproveitar cada segundo”, conclui.