Justiça

Seis PMs viram réus por tortura com morte em caso que abalou Santana do Ipanema

Policiais respondem por tortura e tortura com resultado morte, mas continuam em atividade nas ruas enquanto processo segue na Justiça Militar

Por Wanessa Santos 30/06/2026 09h09 - Atualizado em 30/06/2026 09h09
Seis PMs viram réus por tortura com morte em caso que abalou Santana do Ipanema
Rogério Almir Santos de Lima, de 32 anos, morreu após abordagem policial em Santana do Ipanema - Foto: Reprodução

A Justiça Militar de Alagoas recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) e tornou réus os seis policiais militares acusados de torturar e matar Rogério Almir dos Santos Silva durante uma ação policial ocorrida em julho de 2025, no município de Santana do Ipanema, no Sertão do estado.

Os policiais respondem pelos crimes de tortura e tortura com resultado morte. O caso aconteceu durante uma suposta averiguação relacionada ao tráfico de drogas, quando os militares entraram na residência da vítima.

Na época dos fatos, os policiais alegaram que, ao chegarem ao imóvel, Rogério Almir já estaria passando mal. Segundo essa versão, ele foi socorrido e levado para uma unidade de saúde, mas não resistiu.

A versão, no entanto, foi contestada pela esposa da vítima, que denunciou que o marido havia sido submetido a torturas durante a ação policial. O relato ganhou força após a conclusão do laudo do Instituto Médico Legal (IML), que apontou que Rogério morreu por asfixia causada pela aspiração do próprio sangue em decorrência de lesões provocadas por espancamento, compatíveis com prática de tortura.

Com base nas investigações, o Ministério Público denunciou os seis militares, e a Justiça Militar decidiu receber a denúncia, tornando-os réus no processo.

Segundo o advogado da família, os policiais já foram intimados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias. Apesar do avanço do processo, eles continuam exercendo atividades nas ruas. O pedido para afastamento dos militares das funções operacionais foi negado pela Justiça.

O advogado também afirmou que a família espera a condenação dos acusados e a exclusão deles da corporação. Ele ressaltou ainda a importância de denunciar casos de violência policial, independentemente do histórico criminal da vítima.

O caso ocorreu há quase um ano e segue sendo acompanhado pela família de Rogério Almir, que cobra responsabilização dos envolvidos. A partir da apresentação das defesas, o processo seguirá para a fase de instrução, com realização de audiências e produção de provas antes do julgamento.