Carlinhos Maia e Lucas Guimarães sobre ser casal homoafetivo no Brasil: “Quebramos muitas barreiras”
Juntos há 14 anos, eles contam como lidam com os boatos sobre o casamento e falam sobre aumentar a família
Carlinhos Maia e Lucas Guimarães se casaram em maio de 2019, em uma cerimônia recheada de celebridades em Sergipe. De lá para cá, o casal volta e meia é alvo de rumores sobre o relacionamento, mas segue em frente. E pensa até em aumentar a família. “Um bebê, mais um aninho, talvez, quando rolarem os 15 anos juntos...”, despista Carlinhos, que garante lidar razoavelmente bem com a pressão em cima da união.
“Estamos há 14 anos juntos e já separaram a gente umas 50 vezes. A gente nunca vai saber lidar com fofoca, porque eu sou fofoqueiro também, mas discreto”, brinca o humorista. “Mas quando é a sobre a vida da gente e coisas que nem acontecem de fato... Você vai lá, brinca, tira onda e leva com o coração”, diz ele.
Lucas diz que o tempo juntos ajudou o casal a ser resiliente. “Estamos juntos desde o colégio, da época da infância. A fofoca diz mais sobre quem fala do que o assunto dela”, pondera o influencer, ciente das dificuldades e dos riscos de ser um casal homoafetivo no Brasil.
“A gente quebrou muitas barreiras, sempre lutou muito pelo respeito entre os nossos seguidores, entre os milhões de pessoas que nos acompanham. Mas eu falo que a maior prova disso, dessa conquista, é a gente poder chegar em eventos de mãos dadas e ser respeitado, ser bem tratado. Principalmente, por sermos quem nós somos: seres humanos", aponta. "Independentemente de sexo, cor e religião, somos todos iguais e sempre trabalhamos para poder levar essa igualdade para as pessoas, que é o que importa”, diz.
Carlinhos afirma saber ser mais vulnerável à violência por ser um homem gay – o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBQTPIA+. O medo fez, inclusive, com que ele demorasse até se posicionar politicamente, e só recentemente revelou seu voto em Luís Inácio Lula da Silva (PT), o que, antes de torná-lo público, contou a Quem, que não tinha o feito por medo de sua segurança e de seus pais. “A gente mora no interior do Nordeste ainda, né? A gente vive solto, livre, não fica no estúdio de televisão guardadinho. Eu gravo na rua com pessoas, não quero apanhar na rua, desculpa”, explicou ele. Carlinhos conta nunca ter entendido por que a internet acreditava que seu voto seria em Jair Bolsonaro (PL). “Sou nordestino, veado. Deve ter sido pelo jeito de me vestir ou de acharem que tenho jeito heteronormativo", diz.
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