Em crise, Neymar perde aura de mito e precisa se reinventar
Jogador foi desconstruído na mídia enquanto surgiram novos ídolos na Copa da Rússia
Grandes competições esportivas servem para reafirmar talentos, apontar revelações e, às vezes, transformar um atleta em vilão. Neymar é a bola da vez, porém num sentido nada positivo. O principal nome da Seleção Brasileira virou alvo fácil na Copa da Rússia.
Comentaristas dos mais variados veículos (TVs, rádios, jornais, revistas e internet) perderam o pudor em criticá-lo. O camisa 10 foi duramente julgado pelas ações e omissões.
As atitudes em campo – especialmente as quedas vistas como encenações exageradas – geraram incontáveis memes engraçados, porém depreciativos. O planeta adorou debochar de Neymar. Até o presidente da FIFA caiu no riso.
Bastaram alguns jogos no maior campeonato do mundo para que ruísse a fantasia em torno do atacante. Passou a ser alguém sem blindagem. Todo mundo agora se sente no direito de condená-lo.
O próprio jogador minuciou os desafetos: ignorou a imprensa e o público após a desclassificação do Brasil. Calar-se foi um erro tolo, que piorou a crise de imagem iniciada com o desempenho instável nos gramados russos.
Um ídolo não pode fugir às obrigações de seu papel. Uma delas é transmitir uma mensagem aos fãs (e, de quebra, a seus antagonistas) nos momentos de desencanto.
Poucas palavras bastariam. Neymar preferiu o autoexílio longe de câmeras e microfones. Talvez ele ainda não saiba que o silêncio custa caro. Mensagens em rede sociais não criam o mesmo impacto que a sinceridade do olhar, da voz, da expressão facial.
A imprensa brasileira destaca a criação de um suposto ‘plano de emergência’ para reverter a imagem negativa que embalou a estrela do Paris Saint-Germain. A pressa se justifica pelo temor de perda de patrocínios.
Na quinta-feira (19), um leilão em prol do Instituto Projeto Neymar Jr. reunirá celebridades e imprensa no Hotel Unique, em São Paulo. A expectativa é arrecadar mais de 2,5 milhões de reais para a instituição que atende crianças carentes no litoral paulista.
A filantropia sempre produz retorno midiático. Mas, sozinha, não será capaz de reabilitar o status do astro do futebol. Bom desempenho em campo e discursos coerentes serão imprescindíveis para que as chacotas cessem e o respeito seja restabelecido.
Neymar se viu atropelado pelo excesso de marketing criado em torno dele. O jovem mito foi humanizado pelas próprias falhas.
Passada a tormenta, é hora de demonstrar ter aprendido a lição: menos celebridade, mais maturidade.
A fila anda e novos ídolos surgiram na Copa da Rússia. O ‘menino’ Neymar, de 26 anos, já tem sucessores a caminho – e a mídia, que jamais é fiel, adora destronar quem chegou ao topo.
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