Presidente da LaLiga, Javier Tebas pede desculpas a Vinícius Júnior sobre caso de racismo e afirma estar trabalhando em soluções
Nas redes sociais, o mandatário da competição criticou a postura do brasileiro
O caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior continua tomando proporções e, nesta quarta-feira (24), o presidente da LaLiga, Javier Tebas, falou sobre o acontecimento na partida do Real Madrid contra o Valencia, no último domingo (20). O espanhol reconheceu o erro cometido com o jogador e pediu desculpas, afirmando que está trabalhando para tentar solucionar os problemas racistas dentro dos estádios da Espanha.
Em entrevista ao Ge, da Globo, Javier comentou sobre a resposta infeliz que deu a Vini Jr. Na ocasião, o brasileiro criticou os casos de racismo na LaLiga e as impunidades por parte da entidade e da Federação Espanhola de Futebol. Em resposta, Tebas disse ter procurado o camisa 20 anteriormente para tratar do assunto e o mandou se informar para não ser manipulado.
- Se houve esse inconveniente, se ele também não o interpretou bem, mal, tenho que pedir desculpas, não tenho nenhum problema. O importante aqui não é o tweet. Há insultos racistas determinados a insultar Vinícius? Sem dúvida. O presidente da LaLiga está em conta de todos esse insultos. Os encontramos faz muitos anos. E farei agora o mesmo, em defesa de Vinícius e dos jogadores que estiverem na Espanha, ou de qualquer raça que enfrentem gritos racistas. Sempre foi a minha conduta, e sempre será essa. Não vou mudar. E pedirei desculpas se interpretou mal o tweet. Não era a minha intenção.
A resposta gerou mal-estar entre o jogador, clube, torcedores e até mesmo o presidente da Federação Espanhola de Futebol, Luis Rubiales, que criticou a conduta de Javier Tebas. Vinícius respondeu que quer ações e punições, e reforçou que o presidente da LaLiga foi às redes sociais criticar o jogador, ao invés dos racistas. Tebas, novamente, retrucou o atacante, dizendo que a competição não é racista e que está buscando soluções rígidas para o problema.
- Claro que tomamos medidas. Mas nem sempre elas atendem todas. Por isso estamos pedindo mais competências. Estou convencido de que se tivéssemos mais competências, em um período de meses terminando com esses problemas.
O caso de racismo mais recente com Vinícius Júnior aconteceu na partida contra o Valencia, aos 24 minutos do segundo tempo. Três minutos depois, o jogador identificou um torcedor e comunicou ao árbitro, que logo paralisou o jogo. A confusão foi instaurada e parte do estádio passou a ecoar cânticos racistas ao chamar o brasileiro de 'macaco'. Vini pediu a Ancelotti para deixar o jogo, mas a pedido do treinador e do árbitro, continuou até o fim. Nos minutos finais, em nova confusão, o jogador foi enforcado e empurrado por jogadores adversários e, ao se defender, foi expulso.
Este foi o nono caso de racismo na temporada da La Liga, sendo oito com Vinícius. O número mostra que há uma perseguição ao jogador e que não são casos isolados como afirmam ser.
- Quando dizem isolados, acho que também é um mal entendido. Vamos esclarecer. Todo fim de semana nós colocamos 500 mil pessoas nos estádios. Pode haver dois mil "sem cérebro" que façam algum grito homofóbico ou racista. Em comparação não são tantos. Mas não quero entrar na discussão se são poucos. Para nós dá no mesmo. Denunciamos um, dois, três quatro ou 100. Denunciamos e seguiremos denunciando. Sempre temos que estar em guarda contra isso. É muito difícil levar o racismo a zero. O importante é acabar com os que há agora e seguir em guarda para que não sobre. Não são casos isolados - explicou Javier Tebas.
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