Se virar presidente, Temer quebrará jejum centenário de paulistas no cargo
Na hipótese de a mineira Dilma Rousseff ser cassada em julgamento no Senado e Michel Temer ser empossado, o Brasil veria algo que não ocorre há 110 anos: um presidente paulista.
Nascido em Tietê, o vice será, em caso de saída definitiva da petista, o primeiro titular paulista da Presidência da República desde Francisco de Paula Rodrigues Alves, um natural de Guaratinguetá que governou o Brasil de 1902 a 1906.
O início do período republicano parecia promissor para os entusiastas da hegemonia presidencial bandeirante. Depois de iniciada sob os alagoanos Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, a Presidência passou para o ituano Prudente de Moraes, eleito em 1894.
Prudente foi sucedido por Campos Sales, de Campinas, que passou o cargo a Rodrigues Alves. Firmou-se o "tricampeonato" paulista.
Rodrigues Alves chegou a ser eleito novamente em 1918, mas, com saúde debilitada, contraiu gripe espanhola, não tomou posse e morreu no ano seguinte.
Finda-se assim a participação, até hoje, dos naturais do mais rico e populoso Estado à frente plenamente do Executivo federal.
O jejum ameaçou acabar em 1930, quando Júlio Prestes, de Itapetininga, foi eleito presidente. Sua posse, porém, acabou atropelada pelo levante liderado pelo gaúcho Getúlio Vargas, que comandaria o país pelos 15 anos seguintes –e de novo entre 1951 e 1954.
Um paulista voltaria a flertar com a faixa presidencial em 1961, quando Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara nascido em Caconde, assumiu interinamente na crise que se seguiu à renúncia de Jânio Quadros acompanhada da ausência do vice, João Goulart, que estava na China.
Militares resistentes a Jango, porém, não conseguiram impedir a posse do vice.
Conseguiriam em 1964, com o golpe militar daquele ano, levando mais uma vez à passagem transitória de Mazzilli pela Presidência por 14 dias, até a eleição indireta do marechal cearense Humberto Castelo Branco.
Outro paulista ilustre que não chegou lá foi Ulysses Guimarães, de Itirapina.
Era considerado favorito para disputar a Presidência pela oposição à ditadura se fossem aprovadas as eleições diretas, em 1984, o que não ocorreu. Disputou em 1989, mas ficou em sétimo lugar.
A ausência paulista na cadeira presidencial é acompanhada de outra ainda maior: a paulistana. A capital, que tem como lema "Não sou conduzido, conduzo", nunca fez um presidente.
QUASE PAULISTAS
Apesar de rarearem os paulistas de nascimento, não foram poucos presidentes que fizeram sua vida no Estado ou na cidade de São Paulo.
Washington Luís, deposto por Vargas, nasceu em Macaé (RJ), mas construiu a carreira em São Paulo. O mesmo ocorreu com Jânio Quadros, de Campo Grande (MS), Fernando Henrique Cardoso, do Rio, ou Lula, de Garanhuns (PE).
Para 2018, os nomes por enquanto mais bem colocados são a acriana Marina Silva, o pernambucano Lula e o mineiro Aécio.
Para os que têm esperanças de ver um paulista na cadeira ocupada por Rodrigues Alves –e provavelmente por Temer–, as apostas são Geraldo Alckmin, de Pindamonhangaba, José Serra, da capital, ou Jair Bolsonaro –que, apesar de ter feito carreira no Rio, nasceu em Campinas.
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