Deputados reagem com indignação à operação policial nas dependências da ALE
A operação ocorrida na manhã desta quarta-feira (15), nas dependências da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), vem causando polêmica entre os parlamentares. Equipes do Tático Integrado de Resgates Especiais (Tigre) e do 7º Distrito Policial (DP), cumpriram na ALE mandados de busca e apreensão contra o deputado Marquinhos Madeira (PMDB). O parlamentar é suspeito de estelionato e improbidade administrativa. Durante a sessão plenária de hoje os parlamentares se mostraram contra a ação, qualificando a mesma como desnessessária. A Mesa Diretora da Casa de Tavares Bastos e o deputado Marquinhos Madeira já haviam repudiado, em nota, o aparato utilizado na ação.
Em pronunciamento durante a sessão, o deputado Ronaldo Medeiros (PMDB) repudiou a forma como foi conduzida a operação de busca e apreensão do atestado médico do deputado Marquinhos Madeira (PMDB), realizada nesta manhã.
"Uma operação totalmente desnecessária, tanto pelo quantitativo de policiais aqui presentes, quanto pela forma como foi feita”, declarou Medeiros, contando que manteve contato com Madeira e este o informou que nunca lhe fora solicitado tal documentação.
O atestado médico, objeto da busca e apreensão, teria sido apresentado pelo deputado Marquinhos Madeira como justificativa de licença por um período de 130 dias, em maio de 2012, portanto, na legislatura passada.
“Foi alegado que a solicitação do documento já havia sido feita diversas vezes e que o mesmo não havia sido encaminhado. A Mesa atual nunca recebeu um pedido sequer de cópia desse atestado”, contou Ronaldo Medeiros. Ele se disse indignado e rassaltou que uma operação como essa, em sua avaliação, não só expõe o deputado citado, mas todo o Poder Legislativo.
“Se tivessem chamado o deputado (Marquinhos Madeira) ele teria levado esse documento tranquilamente. Não era necessário fazer esse carnaval, se expor todo um Poder, numa demonstração de força, de arrogância para se buscar um atestado médico”, ressaltou Medeiros, informando que, na condição de líder do Governo na Casa, irá levar o caso ao Executivo.
O chefe do Legislativo, deputado Luiz Dantas (PMDB) se solidarizou com Marquinhos Madeira e observou que se a solicitação da autoridade policial tivesse chegado a atual Mesa Diretora teria sido concedido com toda tranquilidade. “Concordo com o deputado Ronaldo Medeiros, quando diz que um oficial de Justiça seria o bastante e não um batalhão de policia, só vindo fazer estardalhaço desnecessário, exagerado para vir buscar um atestado médico aqui na Assembleia”, disse Dantas, destacando que, de imediato, a Mesa Diretora elaborou e publicou uma nota contrária a essa ação. “Somos um Poder estabelecido e temos trabalhado com responsabilidade em todos os sentidos”, destacou o chefe do Legislativo alagoano.
Em aparte, o deputado Marcelo Victor (PSD) disse não entender tamanho aparato policial para se obter a cópia de um documento. No entanto, o deputado Rodrigo Cunha (PSDB) disse que tomou conhecimento, através dos noticiários, que a autoridade policial vem requerendo esse documento desde 2013 sem sucesso. Ainda em aparte, os deputados Inácio Loiola (PSB), Galba Novaes (PMDB) e Cícero Cavalcante (PMDB) também contribuíram com o pronunciamento de Ronaldo Medeiros. Loiola observou que todos da sociedade alagoana conhecem a postura do atual direção da Assembleia Legislativa e que o mesmo teria prestado qualquer informação que lhe fosse solicitada. “Senti a sensação de uma operação de guerra quando cheguei aqui pela manhã. Fiquei temeroso com o que poderia estar acontecendo. Se perdeu o respeito por esta Casa”, avaliou Loiola, dizendo estar indignado com o ocorrido.
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