MP que permite controle de aéreas por estrangeiros divide especialistas
O projeto aprovado pela Câmara que autoriza que empresas aéreas estrangeiras possam ter o controle total das companhias brasileiras não é consenso nem o setor nem entre especialistas.
Para a Latam Brasil, a abertura de participação do capital estrangeiro nas companhias brasileiras é uma medida que pode impulsionar o mercado. "É um setor que exige capital intensivo, e essa medida estimula o crescimento, gerando riquezas."
A posição da companhia, no entanto, é contrária à defendida pela Associação Brasileira das Companhias Aéreas (Abear), que tem como consenso a elevação do limite de capital estrangeiro de 20%, para até 49%, como estava na medida provisória editada ainda por Dilma Rousseff.
"A Abear acredita que a discussão sobre a participação do capital estrangeiro em companhias aéreas brasileiras é parte de um debate amplo", disse a Abear em nota.
Azul e Avianca também acompanham o posicionamento da Abear. Procurada, a Gol não quis se manifestar.
Para o professor da Universidade de São Paulo e especialista em aviação Jorge Eduardo Leal, a abertura total do capital para as companhias estrangeiras deveria ser aprovada quando houver reciprocidade da medida com outros países.
"As companhias precisam de investimentos, mas do jeito como está proposto é um exagero total. Não há país no mundo que libere a participação máxima sem a reciprocidade", disse Leal.
Nos EUA e no Canadá, estrangeiros podem ter até 25% das companhias aéreas do país. Na União Europeia, a regra determina que empresas de fora de bloco possam ter no máximo 49% de participações nas aéreas da UE.
Já o professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Alberto Ajzental é a favor da liberalização do capital das companhias aéreas para o investidor estrangeiro. Segundo ele, limitar a participação em 49% significa reserva de mercado o que para o consumidor não é bom.
"Abrindo o mercado há mais concorrência, o consumidor terá mais opção. E pode até ver uma redução de tarifas no longo prazo", disse Ajzental.
Fernando Marcondes, advogado especialista em infraestrutura e sócio do L.O. Baptista-SVMFA, também acredita que a medida poderá ser benéfica para o consumidor.
Segundo ele, manter a restrição do capital estrangeiro em empresas nacionais é um "atraso", uma resolução do tempo em que se pensava em aviação como setor estratégico. Além disso, o Brasil não tem conflitos com outros países para "defender" seus ares.
"Segue uma tendência de outros setores. É claro que, de imediato, visa atender uma necessidade de caixa da empresas, mas com o passar do tempo, os consumidores serão beneficiados com a medida. Haverá mais concorrência e isso é muito bom", disse Marcondes.
A MP original (714/2016), editada por Dilma, ampliava a participação estrangeira no capital das empresas aéreas de 20% para até 49%.
Porém, uma emenda apresentada pelo líder da bancada do PMDB, deputado Baleia Rossi (SP), ampliou para 100% essa possibilidade. A alteração foi aprovada por 199 votos a 71 nesta terça-feira (21) pela Câmara.
Para entrar em vigor, a medida tem que ser aprovada ainda pelo Senado e ser sancionada pela Presidência da República.
Moreira Franco, ex-ministro da Aviação Civil no governo Dilma e hoje secretário-geral do PPI (Programa Parceria em Investimentos), diz que sempre defendeu a abertura total e que próprio mercado já não respeitava mais a regra anterior, com acordos entre empresas que deixavam estrangeiros com o controle das companhias nacionais.
A Gol tem entre seus minoritários Delta e Air France. No caso da TAM, a multinacional Latam Airlines Group detém 100% das ações preferenciais e 20% das ordinárias da TAM S/A. A Azul vendeu fatias ao grupo chinês HNA e à americana United.
Últimas notícias
JHC visita poço artesiano em Arapiraca e destaca ações que levam dignidade à população rural
Cabo Bebeto critica nova parceria da Sesau com hospital ligado a Gustavo Pontes
Defesa Civil alerta para risco de alagamentos e deslizamentos em Alagoas
Chuvas causam alagamentos e deixam moradores ilhados no bairro Girador, em Atalaia
Chuvas provocam adiamento de evento em homenagem ao Dia das Mães em Arapiraca
Prefeitura de Boca da Mata apura causa do incêndio que destruiu ônibus escolares
Vídeos e noticias mais lidas
Publicado edital para o concurso do Detran; veja cargos e salários
Jovem morre após complicações de dengue hemorrágica em Arapiraca
Estudantes se formam na Uninassau Arapiraca e descobrem que curso não é reconhecido
Com avanço das obras, novo binário de Arapiraca já recebe sinalização e mobiliários urbanos
