Lula proíbe PT de negociar indulto com candidatos à Presidência da República
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ordenou que o PT pare de negociar com candidatos à presidência da República um indulto a ele em caso de eleição. A ordem foi dada à presidente nacional do partido, senadora Gleisi Hoffmann, que voltou a visitar o Lula na Superintendência da Polícia Federal do Paraná nesta quinta-feira.
“Ele me disse: tem que parar de falar em indulto. Eu não aceito indulto. Eu não sou culpado. Indulto é para culpado, é perdão. Eu sou inocente e quero provar minha inocência”, relatou a senadora ao deixar a sede da PF.
Pré-candidatos de partidos de esquerda como Manuela D’Ávila (PC do B) e Guilherme Boulos (Psol) já haviam acenado com a possibilidade de, se eleitos, concederem indulto a Lula.
Gleisi também reafirmou que o PT irá registrar a candidatura de Lula mesmo que ele ainda esteja preso em agosto e sustentará sua condição de candidato durante todo o processo eleitoral, sem negociar alianças ou substituição do candidato. “Nós consideramos Lula inocente, não reconhecemos essa condenação como um condenação válida, é cheia de vícios, ele foi condenado sem provas, sem crime tipificado. Além disso, a lei da ficha limpa não o impede de ser candidato. Sua candidatura pode ser questionada após o registro. Nós vamos registrar, vamos sustentar sua candidatura e vamos derrubar a inelegibilidade. Se lá na frente, nada der certo, o presidente Lula saberá encaminhar o processo com a direção do PT”, disse.
A senadora afirmou, no entanto, que mantém o diálogo com os demais partidos de esquerda, principalmente para a construção de uma agenda legislativa comum. “Temos uma frente de sete partidos que foi lançada com um manifesto em defesa da democracia e dos direitos aos trabalhadores, independente de candidaturas a presidente da República, pois todos os partidos têm legitimidade de propor candidato. Assim como o PT tem legitimidade e vai propor seu candidato, mesmo porque temos o candidato mais bem posicionado, num momento especial da vida partidária, pois é o PT, mesmo depois de toda a campanha que foi feita para destruí-lo, continua sendo o partido de preferência nacional, recuperou sua relação com a sociedade e não pode abrir mão de apresentar sua candidatura”, disse a petista. “Isso não impede de discutirmos programa e estamos discutindo, inclusive, propostas para o Legislativo, pois precisamos eleger uma bancada progressista, para conseguirmos aprovar as reformas que precisamos fazer para recolocar o país no rumo do desenvolvimento”, acrescentou.
Questionada se o ex-presidente Lula tomou conhecimento da foto em que o juiz federal Sérgio Moro posou ao lado do ex-prefeito de São Paulo João Dória (PSDB), Gleisi ironizou. “Não sei se viu, não comentou. Mas isso é uma questão menor, não precisa nem de comentário, a foto é autoexplicativa, e não é a primeira vez e nem só com o Dória, ele já esteve com Aécio, já esteve com Temer e vive em convescotes por aí com o pessoal do establishment . Então, a imagem diz muito”.
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