Bebês são usados como 'escudo' por traficantes durante operação em SP
Flagrante aconteceu na comunidade Prainha, em Guarujá (SP)
Dois bebês foram usados como 'escudo' por traficantes durante uma operação do Batalhão de Operações Policiais da Polícia Militar (Baep) em Guarujá, no litoral de São Paulo. Segundo testemunhas, os dois suspeitos utilizaram as crianças para evitar uma abordagem dos policiais que patrulhavam uma área considerada perigosa da comunidade Prainha.
O registro do flagrante foi obtido pelo G1 na manhã desta terça-feira (9). Segundo informações da polícia, a cena foi notada durante diligências feitas por equipes da Polícia Militar que agem na região, após a morte por fuzilamento do cabo da Polícia Militar José Aldo dos Santos, ocorrida em 26 de setembro.
O G1 apurou que os dois estavam em um dos becos da comunidade Prainha, área em que é registrado, segundo a polícia, "alto índice de criminalidade". Um grupo de policiais fazia a abordagem de um suspeito quando, ao lado, uma mulher seguia com os dois filhos pequenos pelas ruas do bairro.
Momentos depois, dois rapazes, que estavam nos fundos de um beco, avançaram, abordaram a mulher e, em seguida, pegaram as crianças e ficaram as segurando no colo. Olhando para os policiais, eles as balançavam, disfarçando e, também, intimando e ameaçando os militares a não agirem por conta da presença das crianças.
Segundo informações da polícia, as imagens registradas já estão sendo analisadas pelo setor de inteligência, com o objetivo de identificar quem são os suspeitos que foram flagrados durante a operação. Até a publicação desta reportagem, porém, ninguém havia sido preso.
Operação
Desde a execução do policial, autoridades ocuparam as comunidades da região do Distrito de Vicente de Carvalho, onde o cabo vivia com a mulher. A operação contou com o apoio estrutural do Exército, por meio da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, que cedeu à PM barracas e outros equipamentos.
Também houve a participação da Companhia Marítima da PM Ambiental, que fez patrulhas marítimas, uma vez que as comunidades ocupadas ficam às margens do Estuário, canal de navegação do Porto de Santos. Ao menos seis lanchas são utilizadas nos trabalhos, inclusive barcos de pequeno porte para acessar os mangues.
Segundo informações oficiais das polícias Civil e Militar, quatro homens morreram em confronto com policiais em áreas entre as comunidades de Vicente de Carvalho entre a madrugada do dia 27 de setembro e a manhã do dia 28. Os comandos informaram ao G1 que os suspeitos estavam comercializando entorpecentes, que foram apreendidos, e resistiram à prisão.
Execução
Aldo era lotado no 21º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento em Bertioga, e sofria ameaças. No momento da execução, ele não estava fardado e não teve tempo de reagir. Pelo menos 10 perfurações foram identificadas pela perícia no para brisa do veículo em que ele estava.
Também foram contabilizados mais de 50 projéteis no local do crime, que foi analisado por equipes do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar. O corpo do policial foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) da cidade.
Imagens obtidas mostram momentos antes da execução do policial, quando um veículo passa antes do carro do cabo. Em seguida, um ônibus municipal recua devido aos disparos. Outro veículo preto foi utilizado por parte da quadrilha e localizado no mesmo dia, queimado, no bairro Monte Cabrão, em Santos, e também foi alvo de análise da perícia.
No dia 30, três foram presos acusados de praticar tráfico de drogas na mesma região. Um deles, que era foragido da Justiça, foi encontrado dentro da casa da mãe e reagiu à abordagem dos oficiais do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep), mas foi preso. A polícia investiga eventual ligação deste suspeito com o crime.
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