Milícia faz rondas com metralhadora .30 e já cobra taxa a moradores de favelas invadidas
Milicianos que invadiram, no final de julho, as favelas de Antares e Rola, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, usam uma caminhonete com uma metralhadora calibre .30 acoplada em sua parte superior para fazer rondas na favela e aterrorizar moradores. Uma imagem do veículo, todo pintado de preto, faz parte de uma investigação da polícia sobre a atuação do grupo nas favelas.
Dois meses após a invasão, os paramilitares já cobram uma taxa a moradores e comerciantes das duas favelas. A polícia também recebeu denúncias de que câmeras de segurança foram instaladas pelos milicianos em alguns pontos das favelas.
A região era um reduto antigo do Comando Vermelho (CV), mas foi invadido por milicianos da favela do Cezarão no final de julho, após seguidos dias de tiroteio. Desde então, a facção tem tentado retomar a região com o reforço de criminosos de diversas favelas dominadas pela quadrilha.
Invasão teve participação de PMs
A Corregedoria da Polícia Militar concluiu que a invasão de milicianos às comunidades do Rola e de Antares, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, ocorrida em julho, contou com a participação de pelo menos quatro integrantes da corporação. Dois soldados, uma cabo e um sargento foram identificados a partir de uma foto que mostrava um grupo de pelo menos dez pessoas fortemente armadas, algumas vestindo roupas semelhantes à farda da PM. Eles chegaram a ser presos administrativamente e estão até hoje afastados das ruas.
A foto de julho será comparada com as imagens feitas pela Rede Globo na Favela do Rola, na última segunda-feira, durante intenso tiroteio entre milicianos e traficantes, que tentavam retomar o território. A filmagem, feita a partir de um helicóptero, mostra dezenas de homens armados, alguns utilizando roupas semelhantes à farda da PM. O objetivo da Corregedoria é saber se o confronto de anteontem também contou com a participação de policiais.
A Corregedoria já deu início ao processo que pode culminar na expulsão dos quatro policiais que aparecem na foto da invasão de julho. A cabo foi a primeira a ser identificada e, em depoimento, ajudou a apontar os outros. Os PMs tiveram a prorrogação da prisão administrativa solicitada pela Corregedoria, mas o Ministério Público entendeu que a apuração deveria continuar, tanto para colher mais provas quanto para identificar outros policiais que aparecem na imagem.
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