Perícia Oficial de Alagoas coleta de material genético de condenados em Maceió
Material, após processado, será inserido no banco de perfis genéticos da Rede Integrada Nacional e poderá ser utilizado na comparação de vestígios de crimes
O Laboratório de Genética Forense do Instituto de Criminalística realizou, nesta terça-feira (18), mais uma etapa do processo de coleta de material biológico de reeducandos do Sistema Penitenciário de Alagoas, com o recolhimento de amostras de 101 reeducandos do Núcleo Ressocializador da Capital e de 69 do Centro Psiquiátrico Judiciário. A ação, realizada em parceria com a Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), cumpre a lei que prevê a coleta de perfil genético para inserção na Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG).
A perita criminal Rosana Coutinho, chefe do Laboratório Forense, explica que o projeto é subsidiado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Para colocá-lo em prática, o Instituto de Criminalística e a Seris traçaram as diretrizes, o cronograma de coleta e organizaram a relação dos presos que atendem aos requisitos da lei.
“Alagoas se tornou apta a integrar a Rede de Bancos de Perfis Genéticos após a inauguração do Laboratório de Genética Forense, em 2017, e após preencher outros pré-requisitos, como a quantidade mínima de peritos criminais e ter os ambientes necessários, já que a unidade oficial de perícia criminal no Estado é responsável por coletar, armazenar e gerenciar o banco de perfis genéticos”, afirmou a perita criminal. “Em março do próximo ano a nossa equipe irá participar de um treinamento do programa Codis, doado pelo FBI, que controla e monitora todos esses perfis genéticos”.
A coleta deve ser realizada de forma indolor e não invasiva. Para isso, é utilizado um coletor apropriado que é friccionado na mucosa oral para coletar células epiteliais, que são transferidas para um papel FTA. “Depois, esse material é levado para o laboratório onde é traçado o perfil genético e inserido no banco de dados para que se possa comparar com vestígios encontrados e coletados em vítimas ou em locais de crime, ” explicou Coutinho.
O secretário de Ressocialização, coronel Marcos Sérgio de Freitas, esclareceu que dos 6 mil presos do estado, 2.500 se enquadram na supracitada lei para doação de material genético. São condenados por crime praticado com violência, dolosamente, de natureza grave contra pessoa ou por quaisquer dos crimes considerados hediondos, como homicídio, latrocínio, estupro e genocídio.
“A coleta de material genético para esse banco de dados de DNA é de extrema importância para a investigação da Polícia Civil e para auxiliar o Poder Judiciário na tomada de decisões judiciais que podem tanto inocentar, como condenar um acusado de cometer um crime. Ou seja, com esse trabalho iremos propiciar uma lídima justiça, ” disse Freitas.
Nesta primeira fase do cronograma, foram coletadas amostras em 207 reeeducandos do Presidio do Agreste, 101 do Núcleo Ressocializador da Capital, e 69 do Centro Psiquiátrico Judiciário. Na próxima semana será a vez de cerca de 80 reeducandas do Presídio Feminino Santa Luzia, mas o trabalho só será concluído no primeiro semestre do próximo ano, com a coleta de DNA dos outros 2 mil reeducandos.
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