Vítimas de violência sexual receberão atendimento no hospital Ib Gatto
Profissionais do Ib Gatto iniciaram treinamento especializado nesta segunda-feira (21)
A violência sexual é um dos crimes que mais cresce nos últimos anos, principalmente, quando o agressor é ligado à vítima e integra o vínculo familiar. Para tornar os profissionais de saúde mais sensíveis quanto aos sinais que uma criança, mulher ou homem abusado apresentam, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), por meio do Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual, realizou, nesta segunda-feira (21), uma capacitação para a equipe médica do Hospital Ib Gatto Falcão, em Rio Largo, para qualificá-los a atuarem com casos de abuso sexual.
Durante a capacitação, foi apresentada à equipe multiprofissional da unidade hospitalar a contextualização da violência sexual no Brasil e em Alagoas, com dados estatísticos, perfil das vítimas e sensibilização. Também foram orientados sobre a administração de medicamentos para evitar as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) virais entre as vítimas, como os antirretrovirais e anticoncepcionais de emergência. Além disso, os profissionais foram alertados sobre a importância da notificação dos casos, com o preenchimento correto da ficha única do Sistema Nacional de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), bem como, o passo a passo do fluxo de atendimento aos pacientes.
De acordo com a assessora técnica do Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual da Sesau, Emily Carvalho, o propósito da capacitação também foi garantir medicações adequadas para fazer as profilaxias, que incluem um antirretroviral inibidor da disseminação do vírus HIV, mas, que só tem efeito, se aplicado até 72 horas após o ato sexual,por meio da PEP (Profilaxia Pós-Exposição de Risco).
“Com a implantação do Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual no Ib Gatto Falcão, o usuário vai receber um atendimento ágil e humanizado, sem necessitar migrar para Maceió. Agora, com as medicações na própria unidade hospitalar, teremos um fluxo ideal, que garanta a assistência qualificada aos usuários”, destacou a assessora técnica do Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual da Sesau.
Ainda de acordo com a Emily Carvalho, o Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual da Sesau foi implantado graças à portaria 2.184, de 30 de julho de 2018, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE). Por meio dela, uma equipe multiprofissional, formada por especialistas das áreas de enfermagem, serviço social e psicologia, atua para prestar atendimento às vítimas de violência sexual, após realizar busca ativa ou ser acionada através dos telefones 0800 284 5415, (82) 3315- 2059 ou (82) 98882- 9752.
Como funciona
O fluxo de atendimento do serviço, que teve início em 15 de outubro de 2018, consiste em assegurar o atendimento integral à vítima de violência sexual. Para isso, se a vítima está dentro do Instituto Médico Legal (IML) e precisa ser encaminhada para o serviço de assistência à saúde, a equipe da Sesau faz o acompanhamento da vítima e dos familiares, até que o protocolo de assistência seja totalmente finalizado.
A gerente médica do Ib Gatto Falcão, Marla Albuquerque, afirmou que a parceria entre a Sesau chegou numa hora propícia, visto que Rio Largo é considerado o terceiro município alagoano com maior índice de violência sexual no Estado. “Com essa iniciativa, vamos criar um serviço onde toda a equipe do hospital fique sensibilizada para identificar esses casos, desde a recepção até o atendimento com o médico. Estamos desenhando uma nova história, graças ao apoio da Sesau, para que possamos ser referência em Alagoas”, ressaltou.
A enfermeira Adriana Melo, que trabalha há dois anos no Ib Gatto Falcão, salientou que a chegada do Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual da Sesau ao local vai somar e fazer com que os profissionais da unidade hospitalar se enxerguem como Rede.
“Quando todo mundo é treinado, acabamos falando a mesma linguagem. E isso é fundamental para um trabalho em equipe. A maioria dos casos de abuso sexual é intrafamiliar e, geralmente, demora mais de um ano para serem descobertos. Muitas vezes isso só ocorre sob os indícios de gravidez ou a manifestação de sintomas de infecções já em andamento. É difícil romper com este ciclo de violência e, quanto mais tempo ele está estabelecido, mais danos geram a vítima e menos os profissionais de saúde podem ajudar”, alertou.
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