Jovens alagoanos dizem temer pela propagação do novo coronavírus em comunidades
Um a cada três jovens ouvidos pela ONG conhece alguém com a doença
Oito em cada dez jovens que vivem nas periferias de Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte afirmaram estar inseguros diante do risco do novo coronavírus continuar se espalhando e infectando as pessoas.
Os dados foram constatados por uma pesquisa realizada pela organização não governamental (ONG) Visão Mundial, que ouviu a 270 pessoas em 24 cidades dos seis estados entre os dias 24 e 25 de março - ou seja, 13 dias após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter reconhecido a situação da doença como uma pandemia que já afetava a 115 países.
No dia em que os pesquisadores foram às ruas, o Brasil já registrava 46 mortes em decorrência de complicações causadas pela doença e 2.201 casos confirmados. De lá para cá, os números só pioraram, motivando o Ministério da Saúde, bem como os estados e as prefeituras, a intensificarem as recomendações para que as pessoas permaneçam em suas casas o máximo de tempo possível, evitando contato físico com outras pessoas.
A partir dos dados que colheu há duas semanas, a ONG Visão Mundial conclui que nas regiões mais necessitadas do país, o isolamento ainda não estava sendo realizado da maneira correta. “Em uma escala de 1 a 5, sendo 1 sem nenhum isolamento e 5 isolamento total, a média ficou em 2,84, demonstrando que as pessoas que moram nessa periferia não têm conseguido fazer o isolamento recomendado”, aponta a entidade, em nota.
Por outro lado, pesquisa feita pelo Instituto Datafolha divulgada neste domingo (5) mostra que, o aumento dos números de casos confirmados e de mortes e as medidas restritivas reforçadas ou impostas desde então podem ter alterado a percepção de ao menos parte dos jovens entrevistados há duas semanas. O levantamento aponta que 76% dos brasileiros consideram importante que as pessoas fiquem em casa a fim de evitar a propagação do vírus, mesmo que isso prejudique a economia e cause desemprego.
Gravidade da pandemia
Oitenta e oito por cento dos entrevistados pela ONG Visão Mundial há duas semanas consideram regular, ruim ou péssima a compreensão da comunidade sobre a gravidade da pandemia covid-19 e 67% disseram não ver nenhuma mobilização da sociedade para pensar as estratégias necessárias para tentar conter o surto. Isto apesar de 78% dos que responderam às perguntas considerarem ter acesso às informações sobre as medidas de proteção recomendadas para evitar a doença. Além disso, um em cada três jovens ouvidos pela ONG disse conhecer alguém cujo teste acusou positivo para a infecção pelo novo coronavírus.
Ações
A partir dos dados da pesquisa, a ONG recomenda que o Poder Público efetive a implementação da renda mínima, por três meses, conforme já aprovado pelo Congresso; adote ações de apoio aos comerciantes locais, com linhas de créditos e suspensão de cobrança de impostos enquanto durar pandemia e incentive os canais de comunicação comunitários para informar sobre a importância do isolamento social e criar uma rede de solidariedade para apoio aos grupos de risco.
A ONG também defende que os governos garantam o acesso da população carente a materiais de higiene, bem como o acesso à água potável. A Visão Mundial também enfatiza a importância da manutenção da coleta de lixo nas comunidades, oferecendo aos trabalhadores e trabalhadoras das empresas responsáveis pela coleta de lixo urbano equipamentos de proteção individual e que seja garantidos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os profissionais da saúde que atuam nas comunidades mais vulneráveis e o acesso à informação sobre locais de atendimento em casos de suspeita de infecção pelo novo coronavírus.
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