Existe possibilidade real de caos social em AL? Especialistas respondem
“Existe interesse em criar pânico e assustar”, diz sociólogo
Um dos principais argumentos utilizados por quem defende o relaxamento de medidas de isolamento social e a retomada do comércio, mesmo com o constante aumento de casos e mortes pelo novo coronavírus, é a possiblidade de desordem e caos social.
Na semana passada, o Ministério Público de São Paulo alertou o prefeito Bruno Covas sobre a possibilidade de saques e vandalismo na capital por causa da retração econômica gerada pela pandemia de covid-19. Ele foi aconselhado a distribuir cestas básicas e cartões de alimentação para população.
O 7Segundos conversou sobre o que pode ocorrer em Maceió e em Alagoas com o professor de Economia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Cícero Péricles, e o sociólogo Adalberon Sá.
Para Cícero Péricles, não há expectativa para que isso aconteça no estado e esclarece que existem questões próprias e um padrão de vida diferente na cidade de São Paulo.
Ele explica ainda que o auxílio emergencial de R$ 600 tem grande cobertura e um peso diferente no Nordeste. Por exemplo, de 1.100.000 famílias alagoanas, 550 mil recebem o apoio.
Segundo Cícero Péricles, aliado a isso, assistidos pela Previdência Social tiveram pagamentos adiantados, os salários dos servidores públicos estão em dia e parte das empresas alagoanas aderiu ao Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda.
“Isso diminui a possibilidade de desordem social. De modo geral, a população está sendo atendida nesse momento. Mas, se eu houver o corte abrupto do auxilio emergencial, outra realidade será discutida. O auxílio emergencial deve ser prorrogado por mais três meses, dependendo da pressão social, dos governadores e bancadas federais. Cabe no orçamento federal, sem problemas”, esclareceu.
Na sexta-feira (22), o ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, afirmou que a crise econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus pode provocar desabastecimento e caos social, defendeu retomada da economia e disse que recursos públicos “são finitos”.
Para o sociólogo Adalberon Sá, existe interesse em criar pânico e assustar para justificar a reabertura do comércio e uma preocupação com a possibilidade de o tamanho da crise não derrube o governo.
“Um cenário mais duro e mais difícil do ponto de vista social e econômico será determinado pela forma que o governo vai agir na perspectiva de garantir políticas públicas para as pessoas que mais precisam. O que não se pode é permitir que a previsão ou manipulação de uma ideia de caos seja amplificada como uma narrativa para justificar a reabertura”, explicou.
O economista Cícero Péricles diz que o movimento que pede reabertura do comércio não parte de toda a sociedade, mas de empresários, donos de lojas, shoppings e pessoas que têm pequenos negócios. Para ele, é uma reivindicação legítima, mas seria impossível que três ou quatro mil lojas seguissem a risca protocolos impostos pelo Ministério da Saúde.
“Não sabemos quando a curva de contaminação vai diminuir, mas é preciso organizar o momento da volta, mesmo que demore. Acalmar os setores. Alguns estados nordestinos já fizeram isso, como Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí, Ceará”.
Ele indica que se planeje um calendário de retomada, com a data inicial em aberto. Com indicações do que seria aberto na primeira, na segunda e na terceira fase e, em seguida, o retorno a normalidade.
“Tudo isso respeitando a orientação da Secretária de Saúde. Se ela disser que é preciso fazer lockdown, então é lockdown”, afirmou.
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