Alvo do STF, Weintraub diz que vai sair do Brasil o mais rápido possível
Foi protocolado um pedido para que o ex-ministro tenha seu passaporte apreendido e seja proibido de sair do país
Após anunciar sua saída do Ministério da Educação do governo de Jair Bolsonaro, Abraham Weintraub escreveu no Twitter que também deixará o Brasil nos próximos dias. Pressionado a fazer um gesto de trégua ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta quinta-feira, 18, a demissão do ministro.
"Estou saindo do Brasil o mais rápido possível (poucos dias). NÃO QUERO BRIGAR! Quero ficar quieto, me deixem em paz, porém, não me provoquem!", escreveu o ex-ministro nesta sexta-feira (19). Weintraub foi o décimo a cair desde o início do governo. A saída foi anunciada em um vídeo publicado em rede social em que os dois aparecem lado a lado e comunicam a exoneração.
O agora ministro demissionário deve assumir uma representação brasileira no Banco Mundial, que fica sediado em Washington, nos Estados Unidos. A indicação já foi feita pelo Ministério da Economia, mas ainda depende de aprovação de outros países - o que deve ser apenas uma formalidade. A remuneração no cargo é de US$ 21,5 mil mensais (cerca de R$ 115,9 mil). Como ministro, ele recebia R$ 31 mil. "Com isso (ida para o Banco Mundial), eu, minha esposa, nossos filhos e até nossa cachorrinha vamos poder ter a segurança que hoje está me deixando muito preocupado", disse Weintraub no vídeo ao lado de Bolsonaro divulgado na última quinta-feira.
Apreensão de passaporte
Após o anúncio de Weintraub, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) protocolou, na manhã desta sexta-feira (19), no STF (Supremo Tribunal Federal), um pedido para que o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub seja proibido de sair do país.
A medida cautelar também pede a apreensão do passaporte do ex-ministro, assim como de qualquer documento de viagem emitido em nome de Weintraub.
Desavenças
Weintraub, o segundo a comandar a pasta desde o início do governo Bolsonaro, ficou 14 meses no cargo, período no qual acumulou desavenças com reitores, estudantes, parlamentares, chineses, judeus e, mais recentemente, ministros do Supremo, chamados por ele de "vagabundos" em uma reunião ministerial. Em função dessa declaração, virou alvo do inquérito que apura fake news e ataques contra os ministros da Corte Suprema.
Em julgamento nesta semana, Supremo Tribunal Federal decidiu por 9 votos a 1 manter Weintraub no inquérito. O habeas corpus de Weintraub também tinha como objetivo beneficiar outros investigados - empresários, blogueiros e ativistas que foram alvo de ofensiva da Polícia Federal recentemente. A ação contesta a atuação do relator do caso, Alexandre de Moraes, que se declarou impedido de julgar no caso. Foi Moraes quem colocou Weintraub na lista de investigados do inquérito.
Saída
O argumento dos que defendiam a demissão de Weintraub era de que ele se tornou um gerador de crises desnecessárias justamente no momento em que o presidente, pressionado por pedidos de impeachment, inquérito e ações que podem levar à cassação do mandato, tenta diminuir a tensão na Praça dos Três Poderes.
"Eu estou saindo do MEC, vou começar a transição agora e nos próximos dias eu passo o bastão para o ministro que vai ficar no meu lugar, interino ou definitivo. Neste momento, não quero discutir os motivos da minha saída, não cabe", disse Weintraub nesta quinta, no vídeo publicado em sua conta no Twitter ao lado do presidente Jair Bolsonaro.
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