Brasil trava rede suspeita de enviar toneladas de droga para a Europa
Durante uma primeira fase das investigações, foram detidas 12 pessoas e apreendidas mais de 11 toneladas de cocaína, no Brasil e na Europa.
A Polícia Federal desarticulou uma rede internacional de narcotráfico que teria enviado toneladas de droga para a Europa e atuava em 13 estados do país, segundo informações divulgadas hoje pelas autoridades locais.
"Mesmo diante da situação de emergência de saúde pública e o isolamento social imposto, o esquema criminoso não foi interrompido, tendo sido apreendidos, entre os meses de março e julho de 2020, mais de 1,5 toneladas de cocaína", refere um comunicado sobre a operação emitido pela Polícia Federal.
O grupo criminoso estava dividido em subgrupos que atuavam de forma conjunta e individualmente no envio das drogas para o continente europeu, nomeadamente cocaína, e também era responsável por ações de lavagem de dinheiro.
A ação das autoridades, foi chamada de "Operação Além-Mar" porque os crimes investigados referiam-se ao embarque de drogas em navios a partir dos portos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, que pela posição geográfica estão mais perto da Europa do que o restante do território brasileiro.
A operação realizada hoje mobilizou 630 agentes nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Pará e São Paulo.
De acordo com o balanço preliminar, foram apreendidos sete aviões, cinco helicópteros, 42 caminhões, e 35 imóveis rurais e urbanos dos suspeitos de liderar a organização criminosa, além do bloqueio judicial de 100 milhões de reais de contas bancárias dos investigados.
No Recife, capital de Pernambuco e onde está decorrendo o processo judicial que culminou com a operação, as autoridades explicaram que a rede criminosa era formada por quatro grupos autônomos que atuavam em conexão para enviar a droga para a Europa.
O primeiro grupo criminoso foi instalado em São Paulo, a maior cidade do país, e encarregava-se da importação do produto a partir do Paraguai e o seu transporte aéreo para outras regiões do Brasil.
O segundo grupo criminoso tinha sede na cidade de Campinas, no estado de São Paulo, e em associação com o primeiro distribuía a cocaína no Brasil. Este subgrupo também estabeleceu ligações com traficantes responsáveis pela comercialização da droga em Cabo Verde e na Europa.
O terceiro grupo operava a partir da cidade do Recife e envolvia transportadoras de carga, que carregavam as drogas por via terrestre e respondiam pela logística de embarque nos portos, principalmente em Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde ocorreu grande parte do envio da cocaína.
A quarta célula foi identificada no centro da cidade de São Paulo, no bairro do Braz, uma área com grande presença de imigrantes, que funcionava como uma espécie de "braço financeiro" da entidade, movimentando contas bancárias em nome de "fantasmas", para facilitar as operações de câmbio e de lavagem de dinheiro, segundo as autoridades.
Durante uma primeira fase das investigações, foram detidas 12 pessoas e apreendidas mais de 11 toneladas de cocaína, no Brasil e na Europa. Um dos presos estava foragido há 10 anos da justiça brasileira e era procurado pela Polícia Federal e pelas autoridades britânicas.
O suspeito não foi identificado, mas as autoridades informaram que foi detido na cidade de Jundiaí, no estado de São Paulo, em março de 2019.
As investigações começaram em 2018 a partir de informações entregues à Polícia Federal pela agência de combate ao crime do Reino Unido.
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