Observatório da Ufal aponta um forte e rápido agravamento da pandemia em AL
Equipe técnica ressalta as medidas de supressão como única forma para conter o avanço da doença
O Observatório Alagoano de Políticas Públicas para o Enfrentamento da Covid-19, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), apontou que o estado apresentou, ao longo da 9ª Semana Epidemiológica (SE), um forte e rápido agravamento da pandemia no estado. Isso de acordo com o comportamento dos indicadores utilizados na análise do cenário.
Esses que são a incidência de casos e óbitos, testagem e ocupação hospitalar, que evidenciam o descontrole da transmissão do novo coronavírus. Segundo o último relatório divulgado nesta segunda-feira (08), na 9ª SE foi apresentado um aumento de 20% no número de casos e 27% no de mortes.
De acordo com o relatório, a tendência de alta também ocorre na notificação de casos suspeitos, que ultrapassou os 13 mil casos no dia 7 de março. A proporção de resultados positivos entre os testes RT-PCR, realizados pelo Lacen, também seguiu esse aumento, passando dos 65% dos exames conclusivos divulgados na 9ª SE. Aplicando essa proporção aos que aguardam investigação, o crescimento seria de mais de 8 mil casos, superando o pico da primeira onda, que foi de 6.811.
Nessa última semana, Alagoas ultrapassou a marca dos 80% de ocupação hospitalar dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que é o limite indicado pelo Comitê Científico do Consórcio Nordeste (C4NE) para adoção do lockdown.
Segundo o comportamento registrado a partir da 8ª SE, o interior do estado superou a capital nos números de casos e de mortes. Entre as cidades analisadas, Arapiraca teve a maior incidência de casos para cada 100 mil habitantes, com 325, seguida por Maceió, com 116. O município do Agreste também registrou a maior incidência de mortes, com 5,6 a cada 100 mil habitantes. Maceió tem 3,1.
No documento, a equipe técnica aponta que, se a tendência for mantida, a rede de saúde pública alagoana entrará em colapso, algo que já aconteceu em diversas regiões do Brasil. Eles consideram que a proporção de pessoas imunizadas é baixa e que as medidas adotadas até então não foram suficientes, e ressaltam as medidas de supressão como única forma para conter o avanço da doença.
“Em consonância com a recomendação do Subcomitê de Epidemiologia ligado ao (C4NE), entendemos que as medidas de restrição de circulação de pessoas e serviços não essenciais devem ser acompanhadas de ampla campanha de divulgação, orientação e fiscalização, para que as mesmas surtam os efeitos desejados. Ao mesmo tempo, considerando os impactos socioeconômicos de tais medidas é urgente a implementação de políticas públicas de apoio à trabalhadores e pequenos empresários”, consta no relatório.
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