Mercado começa semana de olho em Evergrande, energia e discussão sobre combustível
No Brasil, o presidente da Câmara Arthur Lira se reúne hoje com líderes de partidos para discutir o projeto que fixa um valor para o ICMS
Os mercados começaram a semana de mau-humor. No radar dos investidores está a chinesa Evergrande, a crise global de energia e, no Brasil, a discussão sobre o preço dos combustíveis no Congresso.
Começando pelo exterior, os índices futuros nos Estados Unidos caem com preocupações sobre inflação e crescimento, com crise de energia global.
No radar, está a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, e seus aliados liderados pela Rússia, grupo conhecido como Opep+, para discutir os preços do petróleo.
E, mas uma vez, os dados de emprego do payroll vão ser importantes para ler o cenário americano.
No fim de semana, democratas da ala progressista sinalizaram que podem ceder e aceitar redução do pacote social. Com isso, Nancy Pelosi, líder do partido na Câmara, disse que o pacote de infraestrutura deve ser votado até o dia 31 de outubro.
Na Ásia, a notícia de que uma empresa deu calote em títulos com garantia da Evergrande voltou a preocupar investidores. Mas logo depois uma construtora anunciou que vai comprar 51% de um braço da megaincorporadora e ajudou a aliviar a tensão.
As bolsas estão fechadas na China até quinta com feriado, portanto ainda não está claro qual foi o reflexo dessa notícia. No japão, o destaque fica para eleição de Fumio Kishida como primeiro-ministro.
Brasil
No Brasil, o presidente da Câmara Arthur Lira se reúne hoje com líderes de partidos para discutir o projeto que fixa um valor para o ICMS e o que cria um fundo de estabilização para os combustíveis.
No fim de semana, o presidente da Petrobras confirmou que dividendos da estatal podem ajudar a compor o fundo e falou que a chance de mudança na política de preços é zero.
Sobre o ICMS, o líder do MDB na Câmara acha difícil o projeto avançar no legislativo, conforme apontou a analista de política da CNN Thais Arbex. No Senado, onde os governadores têm mais influência, a tramitação pode ser mais complexa ainda.
Combustíveis e inflação pressionada viraram prioridade do governo e de parlamentares, que já entenderam que o assunto afeta em cheio a popularidade às vésperas das eleições. As manifestações de sábado evidenciaram que a pauta econômica está muito presente.
Para contornar a situação, a saída estudada é estender o auxílio emergencial, já que o Bolsa Família ampliado está travado: depende de uma fonte, que seria a reforma do IT. O relator da reforma no Senado já disse que o projeto pode ficar para 2022.
A extensão do auxílio desagrada o mercado porque pode ser feita via crédito extraordinário, fora do teto de gastos, agravando situação das contas públicas. O risco fiscal maior pressiona curva de juros e dólar, e pode agravar a inflação.
Agenda da semana
Na manhã desta segunda-feira, foi publicado o Boletim Focus do Banco Central (BC). A previsão para inflação de 2021 passou a 8,51%. Há um mês, estava em menos de 8%. Para o ano que vem, subiu a 4,14%. Projeções para PIB e Selic não mudaram.
Na terça, o Senado pode votar o marco das ferrovias e o IBGE divulga produção industrial. Na quarta, termina o prazo para o relator apresentar o parecer da PEC dos precatórios na comissão especial.
Na quarta, o IBGE divulga dados do varejo e, no Senado, terá audiência pública sobre privatização dos Correios.
Na quinta, a ANP faz nova rodada de leilão de petróleo e gás natural. Na sexta sai o IPCA de setembro.
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