Após decreto de falência, Livraria Cultura diz que pretende recorrer da decisão
Especialistas consultados pela CNN explicam que empresa não precisa fechar as portas imediatamente, mas que reverter a situação será difícil
Após a Justiça de São Paulo decretar a falência da Livraria Cultura, a empresa informou nesta sexta-feira (10) que pretende recorrer da decisão.
“A Livraria Cultura informa com grande surpresa a decisão que chegou no final da tarde de 09/02. Nesse momento iremos analisar a decisão do juiz, mas pretendemos recorrer”, informou a empresa em nota.
A livraria alega que “há soluções mais apropriadas à empresa, buscando sua recuperação, que não a falência”.
A empresa afirma também que as “operações das duas lojas físicas (Conjunto Nacional em São Paulo, e Bourbon Shopping Country em Porto Alegre), site e demais canais mantém-se normalmente em funcionamento”.
De acordo com Fernando Brandariz, especialista em direito empresarial e sócio da Mingrone & Brandariz Sociedade de Advogados, o prazo para recorrer e apresentar os argumentos é de 15 dias.
Mas, segundo o especialista, não é uma situação fácil para a livraria. “A maioria das empresas que recebem o decreto de falência recorre se tiver dinheiro para pagar as custas e advogado. Mas, reverter a decisão do Tribunal de Justiça vai depender do argumento que eles têm”.
Por este motivo, Brandariz diz que a livraria não fechará as portas imediatamente. Há o prazo para recorrer e entrar com recurso de agravo de instrumento para tentar reverter essa decisão do juiz de primeira instância.
O advogado lembra que a livraria entrou com pedido de recuperação judicial em 2019. Depois, fizeram um aditivo em setembro de 2020, mas não foi aprovado pelos credores. A consequência disso foi o decreto de falência.
“Aparentemente, é pouco provável que o juiz reverta a situação. A Livraria Cultura não vem cumprindo o plano de recuperação de forma reiterada há muito tempo e nem pagando a administradora judicial – que teve de ser trocada por esse motivo”, ressalta.
Segundo consta no decreto, a Justiça exonerou a administradora judicial que estava cuidando da recuperação da livraria, Alvarez & Marsal, pois não estavam sendo paga pelo serviço. A Justiça nomeou então a Laspro Consultores para assumir a gerência da recuperação.
Brandariz destaca ainda que, conforme consta no decreto de falência, novas manifestações foram apresentadas pela administradora judicial, ressaltando o descumprimento das obrigações vigentes do aditivo de recuperação judicial, bem como relatos de indícios de fraudes em movimentações financeiras realizadas por sócios da livraria.
Vale ressaltar que o juiz determinou que, nas próximas 48 horas, sejam identificados os bens, documentos e livros, bem como a avaliação desses bens. Os ativos financeiros e contas em nome da livraria e da 3H Participações (holding que controlava a companhia) deverão ser bloqueadas.
Modelo de negócio
Segundo o professor de economia da FIA Business School, Carlos Honorato, quando o juiz decreta falência, significa que aqueles processos de recuperação judicial não foram cumpridos.
“Pode ser que a empresa não venha finalizar as operações de imediato, mas a tendência é que, o último que sair, apaga a luz. Uma operação como a Livraria Cultura não tem muita saída. A tendência é de que não terá mais produtos, os funcionários não vão mais trabalhar e o cliente também fica com medo porque não sabe o que tem para comprar”, pontua o economista.
Honorato enfatiza que o que prejudicou as finanças da Livraria Cultura foi o modelo de negócios que a empresa seguiu. “Várias empresas tiveram que mudar por conta da digitalização do varejo, e as que não seguiram essa tendência, ficaram para trás e não conseguiram se reerguer”.
Ele acrescentou ainda que é insustentável manter um local onde as pessoas entram, leem um livro de graça e tomam café. “Não tem como ir para frente e não se sustenta no mundo que, hoje, a pessoa pega livro online por um preço mais em conta”, afirma o professor.
Últimas notícias
Cabo Bebeto aponta falta de repasses do Estado a projeto da UFAL que acolhe animais vítimas de maus-tratos
Justiça de SP decreta interdição de FHC e nomeia filho como curador provisório
Vizinho é preso ao tentar beijo forçado de menor no Litoral Norte de Maceió
Dois suspeitos de crimes são mortos em confronto com policiais na Rota dos Milagres
Estudantes se formam na Uninassau Arapiraca e descobrem que não podem atuar
Grupo encapuzado mata homem e adolescente com tiros na cabeça em Maceió
Vídeos e noticias mais lidas
Mistério em Arapiraca: saiba quem era o empresário morto a tiros em condomínio
Cunhado de vereador é encontrado morto a tiros dentro de condomínio em Arapiraca
Creche em Arapiraca homenageia Helena Tereza dos Santos, matriarca do Grupo Coringa
Ciclista morre após ser atingida por carro e ser atropelada por caminhão em Arapiraca
