Entenda condição que matou turista em Fernando de Noronha
Ele iajava com a família e realizou mergulho autônomo a uma profundidade de 62 metros
Um mergulhador de 43 anos morreu em Fernando de Noronha, na terça (15), por doença descompressiva, depois de realizar um mergulho com cilindro a uma profundidade de 62 metros. Bruno Jardim de Miranda Zoffoli chegou a ser encaminhado para uma emergência, mas faleceu após uma parada cardiorrespiratória.
Para entender melhor o que é a doença descompressiva e como ela pode levar uma pessoa à morte, o g1 conversou com o neurocirurgião Jefferson Sousa, diretor do Grupo de Neurocirurgia do Recife (Gruner).
O que é doença descompressiva?
A doença de descompressiva acontece especialmente com mergulhadores e é provocada pela formação de bolhas no sangue pelo excesso de nitrogênio ou outro gás utilizado nos cilindros de oxigênio.
De acordo com o neurocirurgião Jefferson Sousa, esses gases não interagem com o organismo. Eles são utilizados nos cilindros para simular o ar que normalmente respiramos, que é misturado com outros elementos, além do oxigênio. Mas, como a pressão no fundo do mar é bem maior que na atmosfera, os gases passam para o estado líquido e se dissolvem no sangue.
“Há uma liquefação desses gases e eles se dissolvem no sangue e nos tecidos humanos. Quando se retorna para pressão normal - no caso, para a pressão mais baixa - esses líquidos voltam a ser gases e formam bolhas no sangue. Essas bolhas se juntam provocando êmbolos que vão se alojar em órgãos e até mesmo no cérebro. Então a pessoa acaba tendo falência de órgãos por conta da pressão”, explicou Jefferson Sousa.
Como acontece?
Ainda de acordo com o médico Jefferson Sousa, como os gases inertes não interagem com o organismo, eles não causam nenhum mal. O processo de formação de bolhas é normal na liberação desses gases e, desde que não se acumulem, são liberados sem problemas pela respiração.
A doença descompressiva acontece quando o retorno para a superfície é mais rápido do que a capacidade do corpo de expelir os gases sem que eles se acumulem.
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Quando as bolhas se agrupam rapidamente, acontece um fenômeno chamado embolia - as bolhas no interior dos vasos ficam grandes o suficiente para impedir a circulação sanguínea de forma adequada.
"No caso do mergulho, que é uma atividade esportiva, para cada profundidade e tempo, existem recomendações internacionais de um tempo de descompressão. Isso varia muito conforme a profundidade que você desce e o tempo que você permanece lá em baixo. Profundidades acima de 50 metros são consideradas grandes profundidades e vão exigir um tempo bem longo de descompressão", contextualizou o médico.
Quais os sintomas?
Segundo o médico entrevistado pelo g1, os principais sintomas da doença descompressiva são pressão baixa, desequilíbrio, desorientação, náusea e vômitos, sensação de flutuação e dificuldade para falar e caminhar.
“Essas sensações são superficiais às vezes, mas elas traduzem que logo a seguir podem vir outros sintomas mais intensos, como a parada cardiorrespiratória, crises convulsivas e perda de consciência”, explicou.
É possível evitar?
A doença descompressiva pode ser evitada com o retorno gradual à superfície, obedecendo os padrões internacionais de mergulho, que levam em consideração o tempo de submersão e a profundidade.
Também é recomendado que o mergulhador sempre esteja acompanhado por uma equipe treinada que seja capaz de identificar os sinais de complicações e para prestar os primeiros socorros.
Como reverter um quadro de doença descompressiva?
A doença descompressiva pode ser revertida com o uso de uma câmara hiperbárica, como a que foi utilizada pelo turista em Fernando de Noronha, antes de sua morte. Ela faz a recompressão do paciente e administra altas concentrações de oxigênio no corpo.
"A câmara funciona mais ou menos como a pressão que é exercida durante um mergulho. A câmara hiperbárica faz com que você respire o oxigênio em alta pressão, fazendo com que esse oxigênio substitua gradualmente os outros gases. Dessa forma, você vai gradualmente fazendo a troca do nitrogênio por oxigênio e, aos poucos, o organismo vai se estabilizando", disse o neurocirurgião Jefferson Sousa.
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