Caso dos cinco desembargadores do TJ-MS suspeitos de vender sentenças vai parar no STF
Investigação, que também apura suspeita de corrupção no Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul
O ministro Francisco Falcão, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), enviou nesta sexta-feira (25) para o STF (Supremo Tribunal Federal) o caso dos cinco desembargadores do TJ-MS (Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul) afastados sob a suspeita de corrupção e venda de sentenças.
O documento cita que a medida foi realizada em atendimento à mais alta corte do país. Agora, será relatada pelo ministro Cristiano Zanin.
“Em atendimento à requisição do Supremo Tribunal Federal, nos termos da decisão proferida nos autos da Pet. 13.140/DF, remetam-se os presentes autos, bem como as medidas cautelares a ele vinculadas e cadernos investigativos conexos, diretamente ao Gabinete do Ministro Cristiano Zanin”, diz o ofício, obtido pela reportagem.
“À Coordenadoria da Corte Especial para adoção das medidas cabíveis, no tocante à remessa e consequente baixa dos registros nos sistemas do Superior Tribunal de Justiça. Diante do encerramento do trâmite dos autos neste Tribunal, eventuais pleitos posteriores deverão ser autuados em apartado”, acrescenta.
Os cinco desembargadores, além de um juiz de primeira instância e um conselheiro do Tribunal de Contas do MS foram afastados de suas funções por 180 dias. O suposto esquema de corrupção e venda de sentenças é investigado pela PF (Polícia Federal) e pela Receita Federal. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) também criou uma comissão para investigar o caso.
Acesso de lobista
Na última quinta-feira (24), a PF realizou uma operação que investiga a atuação dos desembargadores. O objetivo do órgão é investigar crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, extorsão e falsificação de escrituras públicas no Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul.
A operação indica que o empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como lobista de tribunais, tinha acesso privilegiado a magistrados. Sua influência chegaria também a gabinetes de ministros do STJ. A PF destaca que ele compartilhou com o desembargador Marcos José de Brito Rodrigues, do TJ-MS, documentos de um inquérito e de uma ação penal sigilosos que tramitam no tribunal superior.
O empresário foi alvo de buscas, e agentes inspecionaram seis endereços comerciais e residenciais. O inquérito mostra que Andreson está ligado a outro personagem da operação: o advogado Félix Jayme Nunes da Cunha, que teria negociado decisões junto a desembargadores do Tribunal de Mato Grosso do Sul.
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