O que se sabe sobre juiz que usou falso nome em inglês por 45 anos
Segundo MPSP, o juiz Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield é, na verdade, José Eduardo Franco dos Reis

São Paulo — O caso do juiz que teria usado um nome falso por 45 anos e foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por falsidade ideológica teve uma série de detalhes revelados desde a última quinta-feira (3/4), quando a notícia veio à tona.
Das referências à literatura britânica no nome Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield ao depoimento em que José Eduardo Franco dos Reis diz que é irmão gêmeo do juiz, as novidades ajudam a montar o quebra-cabeça do caso. Veja abaixo o que já se sabe:
Como surgiu a suspeita?
Segundo a denúncia do MPSP, oferecida à Justiça em 27 de fevereiro, no dia 3 de outubro de 2024, José Eduardo compareceu ao Poupatempo Sé para solicitar a segunda via do RG, afirmando ser Edward Albert. Na ocasião, ele apresentou uma certidão de nascimento falsificada com o nome de origem inglesa.
O Poupatempo colheu, então, as impressões digitais do suposto Edward para fazer a nova via do RG. Quando as digitais entraram nos sistemas de identificação automatizados, no entanto, o computador apontou que elas pertenciam, na verdade, a um homem chamado José Eduardo Franco dos Reis.
Por causa das inconsistências, a Polícia Civil abriu uma investigação contra o suspeito, que terminou apontando uma duplicidade de registros. José Eduardo tinha conseguido não apenas fazer um documento de identidade em nome de Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, como também tinha título de eleitor, CPF e passaporte com a identidade falsa, de acordo com a denúncia.
Quem é José Eduardo?
Nascido em Águas da Prata, no interior paulista, José Eduardo tem 67 anos e afirmou à Polícia ser um artesão. Segundo a investigação, ele é filho de pais brasileiros. O MPSP afirma que o homem criou um personagem fictício, Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, em 1980.
Em 19 de setembro daquele ano, o paulista foi ao Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD) e afirmou ser filho de Richard Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield e de Anne Marie Dubois Vicent Wickfield para conseguir uma identidade.
A denúncia diz que ele apresentou cópias falsas de um certificado de dispensa do Exército, uma carteira de servidor do Ministério Público do Trabalho e uma carteira de trabalho, além de um título de eleitor com o nome de Edward, para conseguir a identidade. O MPSP afirma que, naquela época, o IIRGD ainda não estava aparelhado para identificar a fraude.
Até onde foi a farsa?
Com a identidade falsa, José se matriculou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e, em 1995, passou em um concurso para juiz. Em entrevista sobre a aprovação para o cargo naquela ocasião, ele afirmou ser descendente de nobres britânicos. Seu avô teria sido um juiz no Reino Unido, dizia.
O acusado também conseguiu tirar habilitação e comprou um carro usando o nome de Edward.
Como juiz, trabalhou até se aposentar em 2018. Em fevereiro deste ano, ele ganhou, como vencimentos brutos, o valor de R$ 166 mil. O valor líquido ficou em R$ 143 mil.
Apesar da identidade falsa, a investigação cita que José Eduardo também manteve sua identidade verdadeira em uso e chegou a pegar segunda via do RG verdadeiro em 1993. Na ocasião, ele disse que trabalhava no centro da capital paulista como vendedor.
Nome com referências à literatura
Como mostrou o Metrópoles, a alcunha escolhida pelo juiz aposentado tem referências na literatura inglesa, em clássicos de Charles Dickens e Geoffrey Chaucer. Partes do sobrenome também podem ser conectadas a uma cidade da Inglaterra e à história do Rei Artur, da cultura medieval da região.
Os dois primeiros nomes, Edward Albert, são os mesmos do autor do livro “História da Literatura Inglesa”, publicado pela primeira vez em 1923, na Grã-Bretanha. Lancelot, por sua vez, é o nome do homem que tem um caso com a esposa do Rei Artur, na famosa história medieval europeia.
Já Canterbury lembra “The Canterbury Tales”, a coleção de histórias de Geoffrey Chaucer, enquanto Caterham é o nome de uma cidade inglesa. Wickfield, por fim, é o sobrenome da personagem Agnes Wickfield, do romance David Copperfield, de Charles Dickens.
O que o denunciado disse à Polícia?
Em depoimento à Polícia Civil em dezembro de 2024, José Eduardo afirmou que, após a morte de seu pai, sua mãe contou que ele tinha um irmão gêmeo. A criança teria sido doada a outra família e seria Edward Albert.
O acusado disse que conheceu o suposto irmão no início da década de 1980, quando Edward “veio ao Brasil”. Segundo ele, o irmão teria vivido aqui até se aposentar, mudando depois para Londres, na Inglaterra.
José Eduardo contou que foi ao Poupatempo da Sé para fazer uma segunda via do RG do irmão, a pedido dele. A versão não convenceu os investigadores.
O que o Ministério Público afirma?
O MPSP denunciou José Eduardo por falsidade ideológica e uso de documento falso. O órgão pediu que os documentos feitos em nome de Edward fossem cancelados, além de solicitar a entrega do passaporte do suspeito e pedir que a Justiça o proíba de deixar a cidade.
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