Pergunta sobre 'dente escuro' levanta dúvidas se corpo encontrado em fossa é de Ana Beatriz
Família terá de aguardar o resultado do exame de DNA para ter a certeza, diz advogada da família
A advogada Júlia Nunes, que representa a família da adolescente Ana Beatriz, de 15 anos, que desapareceu em abril de 2025, divulgou em seus stories nas redes sociais um vídeo em que relata um episódio ocorrido no Instituto Médico Legal durante a realização de exames de identificação no corpo encontrado em uma fossa no bairro Guaxuma, em Maceió, atribuído a Ana Beatriz.
A advogada relatou que uma perita, dentista, perguntou a um membro da família da jovem se a Ana Beatriz tinha um dente da frente de cor mais escura, e a resposta por parte dos membros da família foi negativa, dando esperanças à família de que a o corpo localizado não seja o da adolescente.
A advogada explicou que, devido ao avançado estado de decomposição do corpo encontrado, não foi possível fazer o reconhecimento pela arcada dentária, sendo necessário aguardar o resultado de exame de DNA para ter a certeza.
Júlia Nunes disse que o corpo foi encontrado no sábado (03), mas a família foi ao IML no domingo (04) e a equipe não permitiu que o corpo fosse visto pelos familiares devido ao estado de putrefação. Então, segundo a advogada, foi perguntado à família sobre alguns dados físicos da Ana Beatriz, como por exemplo, se ela tinha alguma tatuagem, mas a única coisa que foi relatado pelos parentes é que era a presença de uma cicatriz no queixo, que não foi possível identificar pelo mesmo motivo, o avançado estado de decomposição do corpo. Também tentou-se fazer a identificação pelas impressões digitais (papiloscopia), o que também não foi possível pelo mesmo motivo.
A família da jovem então, encaminhou resultados de exames odontológicos feitos por Ana Beatriz para os peritos analisarem e fazer a comparação com a arcada dentária do cadáver, material que foi encaminhado ao IML na segunda-feira (05), segundo a advogada, que informou ainda que também não poderia fazer a identificação tendo com base a arcada dentária. Foi quando a perita perguntou sobre o dente escuro que a família não reconheceu como sendo de Ana Beatriz.
Sendo assim, segundo a advogada, resta aguardar o resultado do exame de DNA para tirar qualquer dúvida.
Júlia Nunes contou ainda que a família tinha havia solicitado à justiça a liberação do corpo para pode organizar o funeral, mas esse pedido torna-se inviável já que não há ainda garantias de que o corpo seja de Ana Beatriz, sendo necessário, como já foi dito, esperar o resultado do exame de DNA.
"É muito triste para todos e dá uma sensação muito grande de revolta dentro da gente, mas estamos aguardando não só a identificação do corpo, mas a dinâmica em que se deu o crime, porque a depender da forma como se deu o crime, isso pode modificar a pena porque pode-se inserir ou imputar outros crimes, aumentando do acusado", afirmou a advogada.
Para realizar o exame de DNA, foram coletadas amostras biológicas do cadáver encontrado e da genitora e da irmã de Ana Beatriz, que serão encaminhadas para análise do Laboratório de Genética Forense do Instituto de Criminalística de Maceió.
O perito criminal Clisney Omena, responsável pelo exame, explicou que, em função do estado de decomposição em que o cadáver foi encontrado, as amostras precisam ser submetidas a um método de extração mais complexo e que demanda maior tempo. Essas amostras ficarão incubadas em EDT durante cinco dias para desmineralizar os ossos.
A causa da morte também está sendo apurada pelo Laboratório de Química e Toxicologia Forense do Instituto de Criminalística. O material estomacal coletado durante o exame cadavérico no Instituto Médico Legal Estácio de Lima foi enviado para a unidade analisar a possibilidade de uma morte por envenenamento, já que na necropsia não foram encontradas lesões por arma branca ou de fogo.
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