Supermercadistas alagoanos questionam política fiscal do Governo após possível incentivo a grupo de fora
A discussão vai além da chegada de uma nova rede supermercadista
A possível concessão de incentivos fiscais pelo Governo de Alagoas ao grupo maranhense Mix Mateus, que planeja abrir cerca de 15 novas unidades no estado, acendeu um alerta entre empresários do setor supermercadista local. A medida, ainda em fase de negociação, gerou questionamentos sobre a política fiscal adotada e a diferença de tratamento entre empresas de fora e os empreendedores alagoanos.
Aumento de impostos preocupa setor
O debate ocorre em um momento sensível para o setor produtivo. Nos últimos anos, a alíquota do ICMS em Alagoas passou de 17% para 19% e, mais recentemente, chegou a 20,5%, impactando diretamente o custo de produtos e serviços essenciais, como alimentos, medicamentos, combustíveis, energia elétrica e serviços em geral.
Empresários afirmam que o aumento da carga tributária tem reflexos diretos na manutenção de empregos, nos preços ao consumidor e na própria sobrevivência de empresas locais.
Críticas à possível concorrência desigual
Para Francisco Sales, proprietário de uma rede de supermercados em Alagoas, a política adotada gera distorções no mercado.
“Não somos contra novos investimentos, mas é incoerente aumentar impostos para quem já está aqui e, ao mesmo tempo, oferecer benefícios a quem vem de fora”, afirmou.
Segundo o empresário, o discurso de desenvolvimento econômico perde força quando cria um ambiente de concorrência desigual.
“Enquanto o empresário alagoano aperta o cinto para manter empregos e segurar preços, grandes redes chegam com incentivos e vantagem competitiva”, completou.
Comparação com outros estados
Em publicações nas redes sociais, Sales comparou a política de Alagoas com a de outros estados do Nordeste.
“Em estados como o Ceará, existe incentivo fiscal para apoiar empresas que têm matriz no próprio estado, fortalecendo quem já está lá e permitindo expansão e geração de empregos. Em Alagoas, acontece o inverso: apostamos nos de fora e deixamos os de casa sem respaldo”, declarou.
Risco para empresas locais
O setor alerta que os efeitos do aumento do ICMS já começam a ser sentidos neste início de ano, com riscos de fechamento de empresas, demissões e concentração do mercado nas mãos de grandes grupos econômicos.
“Quem perde com isso é o alagoano. O pequeno e médio empresário fica sufocado, o dinheiro arrecadado sai do estado e a economia local enfraquece. O empresário alagoano precisa ser tratado como parceiro, não como obstáculo”, concluiu.
Debate vai além de uma rede
A discussão vai além da chegada de uma nova rede supermercadista. Ela escancara um debate mais amplo sobre o rumo da política econômica do estado e qual tem sido, de fato, a prioridade do Governo de Alagoas: fortalecer quem já sustenta a economia local ou apostar majoritariamente na atração de grandes grupos de fora.
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