Após denúncias de golpes e cobranças abusivas e até agiotagem, passeios na Praia do Gunga passam a aceitar Pix
Mudança ocorre depois de relatos de turistas sobre práticas irregulares, incluindo câmbio informal, coação comercial e suspeitas de agiotagem no litoral sul de Alagoas
A Praia do Gunga, um dos principais cartões-postais de Alagoas, passou a adotar pagamento via Pix nos passeios turísticos oferecidos no local. A mudança ocorre após uma sequência de denúncias feitas por visitantes, que relataram golpes, cobranças abusivas e práticas comerciais consideradas predatórias, reacendendo o debate sobre a necessidade de maior fiscalização e transparência nas praias mais visitadas do Nordeste.
As críticas ganharam força nas últimas semanas, em meio a uma onda de relatos semelhantes em outros destinos litorâneos da região, como Porto de Galinhas (PE), onde um casal de turistas foi agredido após questionar aumento de preço no aluguel de cadeiras de praia. O episódio teve repercussão nacional e levantou discussões sobre violência, homofobia e exploração comercial de turistas.
Entre os principais problemas apontados estava a exigência de pagamento exclusivamente em dinheiro para passeios de quadriciclo. Sem acesso a maquininhas ou Pix, turistas ficavam vulneráveis a intermediários informais que ofereciam a conversão de valores mediante taxas consideradas abusivas, prática que chegou a ser denunciada como possível agiotagem, diante da desproporção entre o valor transferido via Pix e o montante entregue em espécie.
Além disso, houve relatos de cobranças mínimas obrigatórias para uso de cadeiras de praia sem aviso prévio, pacotes de serviços não entregues após pagamento eletrônico e aumento de valores previamente combinados, gerando constrangimento e sensação de coação por parte de alguns barraqueiros.
Diante da repercussão negativa e da pressão de consumidores nas redes sociais, operadores de passeios no Gunga passaram a aceitar pagamento via Pix, medida que reduz a dependência de dinheiro em espécie e elimina a atuação de cambistas informais no local. A mudança é vista como um avanço, mas ainda insuficiente por especialistas em defesa do consumidor.
Para órgãos de fiscalização, a adoção do Pix pode minimizar práticas abusivas, mas não resolve problemas estruturais, como a falta de tabelas de preços visíveis, contratos claros para prestação de serviços e regras objetivas para uso de estruturas como cadeiras e barracas.
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