Economia

Petrolífera dos EUA diz a Trump que investir na Venezuela é “inviável”

O diretor-presidente da ExxonMobil, Darren Woods, contrariou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em reunião na Casa Branca

Por Metrópoles 10/01/2026 19h07
Petrolífera dos EUA diz a Trump que investir na Venezuela é “inviável”
Petrolífera ExxonMobil - Foto: Reprodução/iStock Editorial/Getty Images Plus

O diretor-presidente da ExxonMobil, Darren Woods, disse ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o investimento na Venezuela, neste momento, é “inviável”, diante da falta de segurança jurídica e de sérias dificuldades de logística e infraestrutura no país sul-americano.

Segundo informações da Bloomberg, as declarações do executivo foram dadas durante uma reunião entre Trump e cerca de 20 representantes de algumas das maiores petrolíferas dos EUA, nessa sexta-feira (9/1), na Casa Branca. A ExxonMobil é a maior companhia do setor no país e produz cerca de 3% do petróleo e de 2% da energia mundial.

“Se olharmos para as estruturas e os arcabouços legais e comerciais existentes hoje na Venezuela, ela não é viável de se investir”, afirmou Woods ao presidente norte-americano. O CEO da ExxonMobil disse ainda que ativos da empresa já foram confiscados duas vezes pelo governo venezuelano.

Reunião com Trump na Casa Branca

No encontro com os executivos das grandes petrolíferas, Trump pediu para que eles investissem pelo menos US$ 100 bilhões (o equivalente a R$ 537 bilhões, pela cotação atual) na reconstrução da Venezuela.

Na semana passada, os EUA atacaram o país militarmente e depuseram o ditador Nicolás Maduro, que está detido e aguardando julgamento em Nova York.

“Se vocês não quiserem entrar, é só me avisar, porque tenho 25 pessoas que não estão aqui hoje, mas estão dispostas a ocupar o lugar de vocês”, disse Trump aos representantes das companhias de petróleo.

Mesmo com o pedido do presidente dos EUA, Woods demonstrou ceticismo em relação à presença das petrolíferas norte-americanas no mercado venezuelano.

“Quão duráveis são as proteções do ponto de vista financeiro? Como serão os retornos? Quais são os arranjos comerciais, os marcos legais?”, questionou o CEO da ExxonMobil. “Tudo isso precisa ser estabelecido para que se possa tomar uma decisão e para entendermos qual seria o retorno ao longo das próximas décadas.”

Apesar da preocupação, Woods deixou uma porta aberta ao afirmar a Trump que a Exxon está “pronta para colocar uma equipe em campo” caso o governo da Venezuela formalize um convite para a entrada da companhia no país e dê “todas as garantias necessárias de segurança”.

Após a reunião, Trump demonstrou otimismo em entrevista aos jornalistas. “Nós meio que formamos um acordo. Eles vão entrar com centenas de bilhões de dólares em perfuração de petróleo, e isso é bom para a Venezuela e ótimo para os EUA”, afirmou o republicano, sem dar maiores detalhes.

Neste momento, a única empresa norte-americana ainda presente na Venezuela é a Chevron. O vice-presidente da companhia, Mark Nelson, disse que a petrolífera tem um “compromisso específico” de contribuir para reativar o mercado de petróleo no país e deve aumentar sua produção, atualmente de 240 mil barris por dia, em pelo menos 50% nos próximos dois anos.

ExxonMobil

A ExxonMobil é uma das maiores multinacionais de petróleo e gás do mundo. A empresa é resultado da fusão entre Exxon e Mobil, em 1999, e atua em exploração, produção, refino e comercialização de combustíveis e produtos químicos sob as marcas Exxon, Mobil e Esso.

No Brasil, a companhia tem uma longa história que começou em 1912, sendo pioneira no setor, com operações de exploração, produção, químicos e centros de negócios.