Fim da farra da Caixa com o futebol. R$ 665 milhões em dinheiro público
Foram sete anos de influência política para os clubes se aproveitarem do patrocínio da Caixa Econômica. O festim acabou
Foram sete anos de festim com o dinheiro público.
Sim, público.
Certos clubes de futebol privilegiados aproveitaram, desde 2012, foram gastos mais de R$ 665 milhões de patrocínio da Caixa Econômica Federal.
No período que o Brasil viveu uma de suas maiores recessões da história.
A iniciativa surgiu no governo Dilma, com a finalidade de deixar o futebol do país mais forte.
Preparar o clima para a Copa do Mundo de 2014.
A influência direta foi do ex-presidente Lula, que conseguiu o Mundial para o país.
Depois de começar com Athetico Paranaense (R$ 5,4 milhões), Avaí (R$ 1,8 milhão) e Figueirense (R$ 1,2 milhão), em setembro de 2012, o banco estatal resolveu apostar no seu primeiro clube 'grande', o Corinthians.
Foi R$ 1 milhão pelos holofotes do Mundial. E mais R$ 30 milhões para 2013. Outros R$ 30 milhões para 2014.
O time do coração do presidente Lula abriu a 'Caixa de Pandora'.
A partir do Corinthians foi uma farra.
Vale a pena deixar explícito o quanto foi gasto.
E com quantos clubes.
2012 – R$ 9,4 milhões (4 equipes).
2013 – R$ 95,9 milhões (11 clubes).
2014 – R$ 111,9 milhões (15 clubes).
2015 – R$ 98,9 milhões (12 clubes).
2016 – R$ 134,3 milhões (21 clubes).
2017 – R$ 145,7 milhões (26 clubes).
2018 – R$ 125,3 milhões (24 clubes).
Os critérios das escolhas das equipes patrocinadas pelo banco estatal eram vexatórios.
Dependiam da influência política em Brasília.
O caso mais assumido foi do senador Fernando Collor que pressionou, fez lobby, e conseguiu patrocínio para o ASA de Arapiraca.
Collor assinou como 'testemunha', o contrato de R$ 1 milhão ao time do interior de Alagoas, que disputava a Série B, em 2017, quando o acordo foi fechado.
O fim da festança começou no dia 28 de novembro de 2018, quando o Tribunal de Contas da União anunciou ser irregular a prorrogação dos contratos da Caixa com equipes de futebol.
Pelo simples fato de que o patrocínio servia apenas para visibilidade do banco. E não tinha qualquer retorno para a sociedade. Apenas favorecia clubes particulares.
Tudo ruiu de vez com a postura do recém-eleito Jair Bolsonaro.
"Tomamos conhecimento de que a Caixa gastou cerca de R$ 2,5 bilhões em publicidade e patrocínio neste último ano. Um absurdo! Assim como já estamos fazendo em diversos setores, iremos rever todos esses contratos, bem como os do BNDES, Banco do Brasil, Secom e outros", escreveu no Twitter.
Os gastos com o futebol de setembro de 2012 até o final de 2018 foram de R$ 665 milhões, somados patrocínios e bônus por conquistas.
A fonte secou de vez.
O presidente atual da Caixa, Pedro Guimarães, avisou oficialmente.
Os contratos em vigor não serão renovados.
E o banco estatal apenas patrocinará esportes paraolímpicos, disputados com atletas deficientes, que têm enorme dificuldade para conseguir investimento.
Os clubes que tinham o patrocínio da Caixa em 2018.
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1. R$ 25 milhões – Flamengo
2. R$ 14 milhões – Santos
3. R$ 10 milhões – Atlético-MG, Botafogo e Cruzeiro
6. R$ 6, milhões – Atlético-PR, Bahia e Vitória
9. R$ 5 milhões – Paraná e América-MG
12. R$ 4,0 milhões – Ceará, Ponte Preta e Avaí
14. R$ 3,2 milhões – Paysandu
15. R$ 3,1 milhões – Londrina
16. R$ 3,0 milhões – Coritiba
17. R$ 2,8 milhões – Sport (4 meses)
18. R$ 2,4 milhões – Fortaleza e Vila Nova
20. R$ 2,3 milhões – Criciúma
21. R$ 2 milhões – Atlético-GO
22. R$ 1,5 milhões – CRB e CSA
24. R$ 1,3 milhão – Sampaio Corrêa.
Valores fixos, desprezando os bônus.
Apenas Botafogo e Sport tinham contrato até fevereiro deste ano.
Apenas quatro dos 24 clubes que desfrutavam do dinheiro do banco estatal, conseguiram patrocínio.
Atlético Mineiro (BMG)
Ponte Preta (Pilot pen)
CSA (Carajás Home Center)
Paysandu (Banpará)
A bancada da bola, deputados federais e senadores, tentou reverter a situação.
Mas encontrou fortíssima resistência.
Ao contrário de Lula, o próprio Bolsonaro pressionou para que acabasse a distribuição de dinheiro público no futebol.
E está decidido.
O dinheiro da Caixa não fará mais o festim dos clubes...
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